Já que a cachorrada está lançada, com a grande mídia nacional acunhando no governo federal ao menor factóide (já não basta um Ministério das Comunicações do PMDB?!), o Dr.E. repassa duas informações recebidas hoje pela manhã - e quase no mesmo instante! - que mostram não haver santo na atual conjuntura política nacional...
A primeira foi retirada do livro O Brasil é um sonho (que realizaremos)(FAPERJ – Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro), de César Benjamim. Eis os números que o bicho apresenta:
Das 3.315 concessões de emissoras de rádios e TVs no Brasil (até a data em que o livro foi escrito):
- 1.220 (37,5% do total) foram dadas a políticos do PFL, (atualmenteDemocratas ou DEM);
- 497 (17,5% do total), a políticos do PMDB;
- 414 (12,%%), a políticos do PPB;
- 215 (6,5%), a políticos do PSDB.
Juntos, esses imperadores da comunicação e do poder controlam 75% das emissoras, ou seja, quase tudo o que vemos e ouvimos.
A segunda, encaminhada pelo nosso gordinho, o músico Berna Vieira, uma matéria publicada no Conversa Afiada, o blog do jornalista Paulo Henrique Amorim:
Empresa americana vai assessorar tucanos na CPI da Petrobrás. Como é que é?
O negócio tá difici...
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Que oposição, hein?!
domingo, 30 de agosto de 2009
Lógica da invenção - notas domênicas
"Como você valora o trabalho de um programador, como você sabe que uma proposta criativa vale mais que outra? É muito complicado isso e há uma série de dificuldades para o capital trabalhar com a lógica do trabalho imaterial, mas a mais difícil de todas talvez é que ele não sofre com as restrições de outros bens, não tem escassez e nem desgaste no uso. A questão é eu multiplicar um software, uma música, o custo de eu multiplicar isso para mil ou milhões é similar. O custo marginal da cópia é zero, se resume ao custo do suporte ou do tempo de cópia. É uma outra realidade, isso muda completamente o cenário. Portanto, como ressalta o economista americano Steven Weber, o bem imaterial é chamado de não-rival, ou seja, se eu passo uma cópia desse software pra milhares de pessoas, todas podem usar ao mesmo tempo. Mas o bem imaterial não é só não-rival, é anti-rival, pois é melhor compartilhar porque quanto mais compartilho, mais ele cresce. É o contrário do pneu de carro que quanto mais uso, mais desgaste tenho. Se eu codifico informações e repasso pra centenas de pessoas, a possibilidade de ele melhorar é muito maior do que se ele ficar só comigo. Compartilhar na rede é mais eficiente do que guardar ou competir. Isso coloca em questão a idéia de eficiência na rede e a dificuldade do capitalismo industrial. A lógica da repetição já foi alterada para a lógica da invenção, vale mais ser capaz de inventar do que de reproduzir. Isso, em um ambiente de rede, com compartilhamento de bens imateriais, é mais eficiente do que o bloqueio. A pergunta é: isso vai alterar a lógica de reprodução do capital? Não sei a resposta, porque o capitalismo tanto pode incorporar isso quanto essa lógica pode arrebentar seu núcleo fundamental. É por isso que indústrias como as do copyright atuam de forma tão contundente mundo afora, porque acreditam que, com a força do Estado, vão conseguir inverter essa situação. Estamos vivendo um grande embate entre as forças que apostam no compartilhamento dos bens imateriais e aqueles que querem manter o processo de apropriação privada."
(trecho de uma entrevista de Ségio Amadeu para a Revista Fórum - para ler na íntegra, clique aqui!)
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
"A galega que oxigenou o mundo"
Pra dar uma trégua na aridez em que anda esse blog:
Segundo o cronista Xico Sá, a galega que oxigenou o mundo...
E bom final de semana a todos!
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Access to knowledge - sobre direito autoral
O Dr.E. em seu serviço de utilidade pública disponibiliza mais um bom endereço na rede, o a2k, site da Fundação Getúlio Vargas que trata do espinhoso tema do direito autoral (ficará disponível também na seção Estranhos rizomas). Conforme a própria página se define: "O A2K Brasil é um projeto do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV DIREITO RIO, que busca incentivar uma discussão democrática sobre propriedade intelectual, com destaque a acesso a conhecimento (A2K ou access to knowledge) e limitações e exceções aos direitos autorais, de modo a trazer um equilíbrio entre a proteção a direitos autorais e o acesso a conhecimento. O projeto visa a proteger as liberdades civis e conscientizar a população sobre seus direitos, através do equilíbrio entre o interesse privado e o interesse público.
Em parceria com o Ministério da Cultura, o projeto A2K tem como objetivo elaborar uma proposta para alteração da lei de direitos autorais a fim de implementar certas flexibilidades autorizadas por tratados e convenções internacionais. O objetivo é promover maior acesso a conhecimento, incluindo, mas não limitado a, material educacional, científico e de pesquisa."
Abusem...
domingo, 23 de agosto de 2009
"Mais fortes são os poderes do povo!" - notas domênicas
"Quando o governo 'facilita as coisas' para as grandes empresas em nome do povo, ou quando as multinacionais fantasiam seu interesse comercial em nome da cultura, cabe ao povo mostrar até que ponto está disposto a tolerar o poder incontrolável das grandes empresas. Quando outros meios democráticos são ineficazes, são as pessoas que têm o poder coletivo de resistir."
Uma derradeira da Chin-Tao Wu no seu Privatização da Cultura.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Mordeno e assoprano
Seguem duas dicas de leituras pro final de semana:
- Vozes da Democracia, contra-informação sobre o quarto poder brasileiro (capa ao lado);
- Enter, antologia de escritores brazucas que usam a web como suporte para seus textos - a seleta foi organizada pela Heloísa Buarque de Hollanda.
Tudo no precinho do ar que você respira, o custo de um clique. Aproveitem!
Ps.: ficou bonitapracarái a Eita! - volume 2, revista publicada pela Prefeitura da Cidade do Recife, que foi lançada ontem na velha Mauricéia. Ainda não está on-line (quem quiser o volume 1 em formato digital é só clicar aqui!), acha-se em bancas e livrarias da capital pernambucana.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Coelho copyleft!
Falem mau dele agora: Paulo Coelho declara apoio a documento que pede a liberação do compartilhamento!
Já fez mais pelo mundo do que boa parte da literatura brasileira publicada...
domingo, 16 de agosto de 2009
Diz, Artista! - notas domênicas
"Se renunciar à 'Arte' é difícil para alguns, é por que talvez ainda não se tenha entendido que a entrega à vida (ou à 'realidade', como alguns preferem chamar) não significa a nulificação do estético.
Muito pelo contrário, o 'artista' aqui é o pensador, o criador de estratégias de ação, o arquiteto de atos que vão reverberar - a intensidade desta reverberação é claro que dependerá dos meios, finalidade e impactos planejados - nesta mesma 'realidade'. Daí então a importância do conceito, desta mesma herança conceitual de que parte da arte brasileira é tão rica, e que tem sido esquecida faz tempo.
Ações pontuais e absolutamente despretensiosas, como a mudança do nome da avenida Roberto Marinho para avenida Vladimir Herzog, pelo Centro de Mídia Independente, em São Paulo, no ano passado, podem não passar por 'Arte' nos cânones vigentes, mas seu poder simbólico é tal que serve para inspirar mais táticas conceituais que desmantelem o arcabouço mental dominante.
Se a arte conceitual tradicional transformou em 'Arte' a rua e os elementos incompatíveis, temporários e cotidianos, atualmente o sentido não é transformar esses lugares e coisas em 'Arte', mas diluir-se 'com arte' neles, ressignificando-os, ressimbolizando-os, efetuando uma transformação subjetiva ou real, semiótica, mitopoética, social ou ritual."
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"Tentativas de trabalhar com comunidades desfavorecidas podem ter diversas nuances possíveis de abordagem, e nisso muito do que é chamado lá fora de 'community art' ou 'new genre public art' pode ter algo a informar. O risco de uma visão simplificada como 'trabalho de ONG' é algo que se corre, mas nada que uma estratégia conceitual bem arquitetada ou uma 'criatividade de artista' não possa solucionar."
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"Brasileiros costumam às vezes ser muito auto-centrados, muito voltados para si mesmos. Em que pese certa elite ser excessivamente internacionalizada ou eurocêntrica, como boa parte do meio acadêmico, grupos mais à margem costumam manter certa distância ou desconhecimento intencional das ações de grupos de fora."
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Trechos do artigo Notas sobre o coletivismo artístico no Brasil, de Ricardo Rosas. Para lê-lo na íntegra, basta clicar aqui!
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Blogosfera de luto
Hoje o blog Biscoito Fino e a Massa, do professor Idelber Avelar, encerrou suas atividades na rede. Uma pena, menos um espaço de contra-informação na web...
Pra compensar a falta, o Dr.E. disponibiliza a partir de hoje 3 novos endereços eletrônicos mais voltados para política que ficarão sempre a disposição na seção Estranhos rizomas desta bodega:
1) Revista Fórum, onde o próprio Idelber mantém uma coluna;
2) Agência Carta Maior, site velho conhecido por essas bandas;
3) Rede Brasil Atual, site que conta com o apoio de inúmeros órgãos e entidades, entre eles, o Dieese (Departamento Intersindical de Estudo e Estatísticas Socioeconômicas), Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Oboré, Greenpeace, Instituto Socioambiental, Agência Carta Maior, Revista Caros Amigos e Observatório Social.
domingo, 9 de agosto de 2009
"Arte é sexy!" - notas domênicas
"Ser visto como patrono das artes é parte de um estilo de vida distinto exigido e sancionado no interior desse estrato 'sofisticado' da sociedade. O exercício da alta cultura tornou-se uma parte cada vez mais importante da atividade social: é principalmente nos eventos artísticos exclusivos que a elite empresarial e política se reúne e se reconhece. Não é surpresa que os nomes dos executivos estejam sempre associados ao patrocínio das artes nas reportagens da mídia. Sem meias palavras, há um grão de verdade no comentário cínico de Thomas Hoving: 'Arte é sexy! Arte é dinheiro-sexy! Arte é dinheiro-sexy-ascenção-social-fantástica!'"
Da taiwanesa Chin-Tao Wu (foto ao lado) em Privatização da Cultura.
