...meu rei e o final de semana...
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Arrastão on-line
Seguem nessa tarrafa eletrônica mais três iscas:
- clique aqui e leia um ótimo texto sobre a "neutralidade da rede", escrito por Jarbas Jácome;
- tá on-line o mais novo recanto do h.d. mabuse: Fairplay;
- e o novo site da Nação Zumbi!
Divirtam-se...
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Fome no Circo
Para os que estarão no Rio, nesta sexta dia 06/06 no Circo Voador, Fome de tudo, último trabalho da Nação Zumbi. Mais informações aqui.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Nação cevada
O título deste post é aparentemente provocativo. Aparentemente apenas, tendo em vista que a provocação que ele pode conter não é óbvia como o seu enunciado. Explico-me adiante.
Após a apresentação da Nação Zumbi no último sábado, na festa do bloco Sala da Justiça, começou um zum-zum-zum pela cidade do Recife de que a banda tinha se vendido a uma grande marca de cerveja, pois antes de emendar o hit “Quando a Maré Encher”, ela tocou um jingle comercial de tal cervejaria. Esta polêmica lembrou a mesma que ocorreu envolvendo a mundo livre s/a que no ano passado negociou um de seus sucessos com um fabricante de sandálias. Celeuma besta, já que a marca nunca interferiu no processo criativo nem no conteúdo da mlsa que continua disseminando seu som e, sobretudo, sua contra-informação por onde passa. O mesmo, assim espero, deve ocorrer com a Nação. Não me alongarei nesta discussão que é bastante clara para mim. E concordo inteiramente com os argumentos de Renato L no Manguetronic - não os reproduzirei aqui, basta dar um clique no título do blog para vê-los - sobre o assunto.
A discussão ou pensamento que acho mais pertinente criada pela situação, creio eu, diz respeito ao envolvimento da banda numa publicidade de bebida alcoólica. Isto porque, por princípios, não concordo com a divulgação de tais produtos pelos veículos de comunicação de massa nem em lugares públicos de uma forma geral. Moralismo? Hippismo? ReQuem apostou nestes juízos errou os dois tiros – os amigos deste estranho dotô me conhecem... O que penso e acredito é que a sociedade não carece - pelamor de Deus, não entendam mal, não sou contra esses produtos e sim contra suas divulgações massivas pela pub cada vez mais pesada. Como ia dizendo, a sociedade não precisa, não precisa da banalização entorpecedora do consumo de drogas legais - que comumente são mais pesadas que algumas ilegais – promovida pelas grandes agências publicitárias. Sou categoricamente contra a liberdade concedida pela legislação que autoriza a divulgação de tais produtos – o que aconteceu em relação ao tabaco foi um acerto que deveria se estender aos outros produtos com substâncias alucinógenas. Da publicidade e suas pedagogias na relação com as drogas legais, eis a discussão que, para mim, deveria mais interessar nessa história toda.
Creio na idéia de que as sociedades necessitam de seus mistérios e ritualizações, instâncias nas quais as presenças do álcool e/ou de outros “avanços da química aplicada no terreno da alteração e expansão da consciência” são praticamente imprescindíveis. Sempre na manha e na festa, aí sim!, na criação de uma nação cevada...
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Novos links!
Ontem aproveitei a gripe que me tira de ação desde segunda para dar uma geral na seção de links que fica no canto esquerdo da tela deste blog. Corrigi os que tavam fora da rede, como eram os casos dos das bandas Nação Zumbi (a partir de hoje vai direto para o belíssimo site do último disco Fome de tudo) e da mundo livre s/a (agora cai no diário da banda que é atualizado pelo super Walter Areia, baixista do grupo), e do Manguebit que estava destivado e que foi trocado pelo novo Manguetronic - recauchutado em formato blog e atualizado pelo ministro da informação da cena de Recife Renato L (visitem!).
Mas novidade mesmo foi a inclusão de dois novos links: um para o site da musa Maria Rita Kehl , psicanalista de primeira que já escreveu para vários veículos de comunicação do país; e o outro para o Palestina do Espetáculo Triunfante, blog de pegada situacionista da sista Katarina Peixoto, autora da frase genial: "Deus nos dê fígado, pois temos o mundo inteiro pela frente..." (contida na faixa "E a Vida Se Fez de Louca" do O Outro Mundo de Manuela Rosário, quinto disco da mundo livre s/a).
Aproveitem, música e contra-informação nesse latifúndio de ninguém que é a web. E o melhor é o precinho: R$0,00!
domingo, 11 de novembro de 2007
Originais do sonho - notas dominicais XXVI
"Nunca é tarde pra sonhar, mas isso quando se pode dormir."
Verso de Originais do sonho, faixa do Fome de tudo, disco novo da Nação Zumbi.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Esse é o alvorecer de tudo que se quer ouvir

Pegando carona no rabo do último post, segue outra dica musical, desta vez quentíssima:
"No Olimpo", faixa 12 do Fome de tudo, último da Nação Zumbi. Coisa mais foda que ouvi por esses tempos. Procurem e escutem. Ando chapado com ela no juízo...
(trechinhozinho aqui)
ps.: e o design gráfico do disco?! É o fraco!!!
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Tecendo a (minha) manhã
Criado pela efervescência cultural do Recife da década de 90, tomando lições do groove afrofuturista da Nação Zumbi e de máximas como "é povo na arte, é arte no povo, e não povo na arte de quem faz arte como o povo", confidencio que, mesmo tendo tomado um percurso acadêmico, sempre tive uma certa resistência aos nossos "grandes heróis" culturais. E uma rápida genealogia da maioria destes personagens, legitima meu sentimento. No entanto, Gilberto Freyre e João Cabral são escritores desta cepa que, por caminhos literários diferentes, provam que o mundo é muito mais complicado do que a nossa arrogância pressupõe. Graças a Deus, seria o caso de dizer, pois facinho nesta vida só pescar agulha com faxo em Itamaracá (e ainda é assim, é?).
Não me deterei aqui no Conde de Apipucos, só um pouquinho no poeta João. Sobre este último posso dizer que minha admiração por ele já vem de certo tempo, por um viés meio atravessado, mezzo situacionista, mezzo punk, costura possível que faço através da sua luta contra o lirismo, contra o derramamento sentimental (coisa que o mercado e a publicidade adoram) - há de se considerar também nesse meu apego ao "homem sem víscera esquerda" a semelhança de sua poesia com a prosa enxuta do grande (esse de verdade verdadeira!) Graciliano.
Bom, mas o motivo desta minha ladainha é que hoje, quando ainda estava "Tecendo a manhã", fiquei sabendo que as obras completas do poeta está sendo relançada. E meu pombo-correio foi Arnaldo Jabor(!), de quem trago abaixo a crônica publicada nos jornais de grande circulação do país. Os leitores devem estranhar a presença do ex-cineasta neste blog (assim espero!), mas o texto é bacana (olhem o trecho: "essa renúncia ao sonho individual da 'iluminação de um individuo inspirado', o desejo de ser apenas uma coisa-do-mundo") e deixa um monte de janelas para pensamentos e discussões. Leiam e digam...
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João Cabral nos mostra o Brasil em negativo
Arnaldo Jabor
A Editora Objetiva está lançando agora a obra completa de João Cabral de Melo Neto, pela coleção Alfaguara e, assim, revitaliza um dos maiores poetas do mundo, que muito brasileiro desconhece. Isto lembrou-me uma das frases mais profundas que conheço sobre a serventia do artista, que é de Paul Cézanne: "Eu sou a consciência da paisagem que se pensa em mim".
Essa ligação com a natureza perdida, esse apagamento da distancia entre sujeito e objeto, essa renúncia ao sonho individual da "iluminação de um individuo inspirado", o desejo de ser apenas uma coisa-do-mundo, tudo isso me lembra João Cabral de Melo Neto, de quem se pode dizer: ele foi "a consciência da linguagem se falando nele".
Ele sabia disso: "Eu só falo das coisas e, de certa forma, estou falando de mim por elas..."
Em geral, os críticos o definem como o poeta brasileiro que nos ensinou a "não perfumar a flor, nem poetizar o poema", a propósito de seu estilo seco, como se ele fôsse apenas um faxineiro dos parnasianos e dos palavrosos. Mas, João foi muito mais que isso.
Se, por exemplo, examinarmos o seu extraordinário poema "Uma Faca só Lâmina" (um dos maiores da língua portuguesa) veremos que ele é um dos raros artistas que tentaram passar "alem da arte" e entrar numa terra-de-ninguem que poucos visitaram, uma "waste land", um latifundio pré-linguagem, querendo o impossível: atingir o "real", essa "terra não descoberta", avistada por alguns como John Donne, mais tarde, por Francis Ponge, Marianne Moore, gente que não estava apenas fazendo poesia, mas epistemologia. Para mim, João Cabral fez uma teoria da percepção.
Antes de morrer, ele disse a alguém: "Escrevo não para me expressar, mas para preencher um vazio". Quem tem coragem de entrar nesse vazio, na "falta", na falha eterna que nos cega? João teve a obsessão de atingir algo além do tempo e do espaço, uma espécie de "sonho kantiano", a vontade de ir alem do "fenômeno". "As vezes, nos dá a sensação de ter conseguido.
João passou a vida com uma dor de cabeça torturante não era para menos. Que cabeça aguenta esse esforço permanente de ter dois microscópios no lugar dos olhos, de flagrar o decorrer do tempo no alpendre, no canavial, o tempo corroendo as coisas como um vento invisível? (Van Gogh pintou o tempo se passando no espaço e se matou).
Como Proust, João Cabral também fez a geometria dos sentimentos, descrevendo a planta baixa das emoções, esquadrinhando-as como objetos concretos, de todos os lados, sem aspiração á transcendências "inspiradas", sempre comparando matéria com matéria, mostrando que a mulher é igual a fruta, que a praia é o lençol na cama, que a bailarina espanhola é a égua e a cavaleira, que o rio tem dentes podres, que o cão não tem plumas, que a alma do miserável cassaco de engenho é feita de pano sujo de aniagem. João Cabral nem parece um artista; parece cientista, matemático, o que fortalece seu sopro lírico, domado, mas circulando como sangue dentro da pedra.
João virilizou muito a poesia , acabou com a sensação de que arte é frescura ou coisa "de veado", como dizia meu pai, engenheiro, filho de poeta árabe. Tive um grande alivio quando ele me disse, uma vez, quando o entrevistei: "O mal que Fernando Pessoa fez a literatura é imenso. Aquela coisa derramada, caudalosa, criou uma multidão de poetastros que acreditam na inspiração metafísica".
Eu, que rosnava covardemente pelos cantos porque não gostava de Pessoa, finalmente respirei. E João Cabral continuou : "Eu saio do poema suando, com picareta. Minha obra é motivo de angustia. O sujeito tem de viver no extremo de si mesmo. Eu vejo isso na tourada. O bom toureiro é o que dá impressão ao publico de que vai morrer".
A importância de João Cabral é imensa também nesse campo do que chamam de "poesia política, engajada" e outros termos insuficientes. Pela forma, pela recusa a idéias gerais, João Cabral fez a poesia mais profunda sobre o Brasil, a mais "política" também.
A visão que sua poesia nos dá sobre a miséria do país não vem de conteúdos, de brados contra a injustiça ou de denuncias de tragédias. Assim como a importância política de Brecht se fez muito mais pela inversão dos significantes da forma teatral, muito mais em "Baal" ou na "Selva das Cidades" do que em suas peças didáticas, assim também João Cabral nos ensinou muito sobre o Brasil através de suas visões do vazio, movidas apenas por uma discretíssima compaixão. Na entrevista, Cabral critica Mario de Andrade: "Essa historia de identidade nacional é invenção dele. Esse negócio de síntese do Brasil é bobagem. Grande é Gilberto Freyre, que escreveu sobre o cotidiano da escravidão. As parcialidades é que iluminam". Ele também disse, nesta entrevista, há 15 anos: "o Brasil está numa crise de parto. As coisas são sinistramente surpreendentes. A ditadura torturou, mas não regrediu o país. Agora, com a liberdade, está parado. Dá para entender? Se puser o homem mais genial do mundo no governo, os estamentos burocráticos e os políticos reacionários não deixam o país crescer..."
João Cabral descreveu o Brasil em negativo. Ele não nos mostra a pobreza; ele mostra a riqueza que nos falta. Em sua poesia, pelo avêsso, João nos mostrou tudo o que "não temos". João mostrou-nos o que poderia ser nossa lingua (e não é). João Cabral nos mostrou o que o país está perdendo.
Jovens, leiam João Cabral e salvem-se!
quarta-feira, 25 de julho de 2007
Já, de volta a ativa! (e virado no mói de coentro!)

Enfim, salvo! Artigo pronto e cá estou de volta ao cultivo desta propriedade, minha única por sinal. Não foi fácil, ainda mais que o tema que escolhi para escrever o tal texto não dispunha de muita bibliografia. O assunto? Ah, fiz um arrodeio medonho pra mostrar que idéias futuristas em cenas culturais periféricas funcionam como um mecanismo de transcendência da miséria(!). Acreditem, escrevi sobre isso. Disponibilizarei aqui assim que o livro que ele fazerá parte for lançado (e também quando achar alguma forma de publicar arquivo word na web, coisa que consegui apenas através do 4Shared, mas essa ferramenta estipula um prazo de disponibilidade e depois do seu vencimento, só depositando uns caraminguás na conta dos caras, senão o material expira. Foi o que ocorreu com o meu currículo e com alguns artigos que coloquei neste blog, como vocês já devem ter percebido - algum leitor saberia informar uma solução? Desde já, minha mais sincera gratidão).
Mas, voltando a “volta”, não foi dessa vez que a degola das obrigações ceifou o pescoço desse estranho doutor. Mesmo com um cansaço de Hércules pós-12 trabalhos - pois além do artigo, montei nos últimos dias os exemplares definitivos de minha tese para a biblioteca da universidade (trabalho do cão! 739 páginas, 3 tomos e logo logo um link aqui!) -, sinto-me com os poderes revigorados, com uma puta larica de vida e doido pra voltar ao mundo, "pra estraçaiá!", como na cartilha-nocaute do imbatível Todo-Duro - é o fraco???!!! Em outras palavras, é o Dokstrange virado no mói de coentro! Ainda bem que amanhã tem show da Nação Zumbi (Circo Voador, maiores informações aqui) pra gastar a freqüência...
Bom, pra sair do umbigo, segue abaixo uma crônica do Veríssimo que eu queria ter publicado na semana passada, mas a lida não permitiu. Ainda sobre as vaias do Lula. Recado para o coro dos que acreditam cegamente na nossa grande imprensa e para o coro dos que sentem mais prazer do que dor com os atropelos do governo (aliás, são praticamente o mesmo coro). Sai com atraso, mas cheia de carinho, Dr. E.
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Cumplicidade*
Uma comprida palavra em alemão (há uma comprida palavra em alemão para tudo) descreve a "guerra de mentira" que começou com os primeiros avanços da Alemanha nazista sobre seus vizinhos. A pouca resistência aos ataques e o entendimento com Hitler buscado pela diplomacia européia mesmo quando os tanques já rolavam se explicam pelo temor comum ao comunismo. A ameaça maior vinha do Leste, dos bolcheviques, e da subversão interna. Só o fascismo em marcha poderia enfrentá-la. Assim muita gente boa escolheu Hitler como o mal menor. Ou, comparado a Stalin, o mau menor. Era notório o entusiasmo pelo nazismo em setores da aristocracia inglesa, por exemplo, e dizem até que o rei Edward VIII foi obrigado a renunciar não só pelo seu amor a uma plebéia mas pela sua simpatia à suástica. Não tardou para Hitler desiludir seus apologistas e a guerra falsa se transformar em guerra mesmo, todos contra o fascismo. Mas por algum tempo os nazistas tiveram seu coro de admiradores bem-intencionados na Europa e no resto do mundo - inclusive no Brasil do Estado Novo. Mais tarde estes veriam, em retrospecto, do que exatamente tinham sido cúmplices sem saber. Na hora, aderir ao coro parecia a coisa certa.
Comunistas aqui e no resto do mundo tiveram experiência parecida: apegarem-se, sem fazer perguntas, ao seu ideal, que em muitos casos nascera da oposição ao fascismo, mesmo já sabendo que o ideal estava sendo desvirtuado pela experiência soviética, foi uma opção pela cumplicidade. Fosse por sentimentalismo, ingenuidade ou convicção, quem continuou fiel à ortodoxia comunista foi cúmplice dos crimes do stalinismo. A coisa certa teria sido pular fora do coro, inclusive para preservar o ideal.
Se esses dois exemplos ensinam alguma coisa é isto: antes de participar de um coro, veja quem estará do seu lado. No Brasil do Lula é grande a tentação de entrar no coro que vaia o presidente. Ao seu lado no coro poderá estar alguém que pensa como você, que também acha que Lula ainda não fez o que precisa fazer e que há muita mutreta a ser explicada e muita coisa a ser vaiada. Mas olhe os outros. Veja onde você está metido, com quem está fazendo coro, de quem está sendo cúmplice. A companhia do que há de mais preconceituoso e reacionário no país inibe qualquer crítica ao Lula, mesmo as que ele merece.
Enfim: antes de entrar num coro, olhe em volta.
*Crônica publicada no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, em 19 de julho de 2007
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Política latino-americana e a mídia oligárquica
Para os que temem a atual conjuntura política latino-americana, creio que o momento deva ser, no mínimo, de desconfiança. Desconfiança com todos os lados, sobretudo com aquele lado que fabrica notícias no nosso país e que sempre representou os interesses da tacanha elite brasileira. Se você antipatiza com os rumos políticos que vêm sendo traçados na região e que têm na figura de Hugo Chávez a sua maior representação, troque o nome do presidente da Venezuela por qualquer outro no texto que transcrevo abaixo, só não deixe de prestar atenção no que está sendo dito. Lembre-se: o mundo não é uma mercadoria e a tal mão invisível jamais agarrará os dribles da história - muito menos nossos sonhos. O mundo não é tão óbvio como o que ela tenta nos impor. Graças a Deus...
Boa reflexão e, como já disse certa vez Jorge Du Peixe da Nação Zumbi, "pilote a sua cabeça!"
Decálogo para falar mal de Hugo Chávez
Por Emir Sader
Lembrete pendurado na frente de jornalistas da mídia oligárquica:
1. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele recupera o papel do Estado, desqualificado e enterrado por nós há tempos.
2. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele se diz anti-imperialista e esse é um tema proibido na mídia há tempos.
3. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele funda um novo partido, quando martelamos todos os dias que todos os partidos são iguais, que são negativos, que sempre refletem interesses de grupinhos.
4. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele recupera o papel da política, quando todo o trabalho cotidiano da mídia é para dizer que a política é irrecuperável, que só a economia vale a pena.
5. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele vende petróleo subsidiado aos países que não podem pagar o preço do mercado - inclusive a pobres dos Estados Unidos -, o que evidentemente fere as leis do mercado, pelo qual tanto zela a midia.
6. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele é um mau exemplo para os militares, que só devem intervir na política quando seja necessário um golpe militar e nunca para defender os interesses de cada nação.
7. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele ataca a mídia privada e fortalece a mídia pública. Porque ele acabou com o analfabetismo na Venezuela, tema sobre oqual devemos calar. Porque ele vai diminuir a jornada de trabalho em 2010 para 6 horas e esse tema é odiado pelos patrões.
8. Devo falar mal de Hugo Chávez porque assim me identifico com os interesses do dono do meio em que trabalho, garanto o emprego, fortaleço os partidos e as empresas aliadas do patrão.
9. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele faz com que se volte a falar do socialismo, depois que nos deu muito trabalho tratar de enterrar esse sistema, inimigo do capitalismo, a que estamos profundamente integrados.
10. Devo falar mal de Hugo Chávez (e de Evo Morales e de Lula e de todos os nao brancos), senão eles vão querer dirigir os países, os jornais, as televisões, as empresas, o mundo. Será o nosso fim.
(texto retirado do site Carta Maior)
terça-feira, 26 de junho de 2007
Balanço semestral
É incrível, mas o primeiro semestre de 2007 já se foi e parece que o ano começou ontem. E começou com mais uma rodada no poder para o mesmo governo federal que, novamente, conta com minha cansada defesa frente aos deleites daqueles que não se entristecem com os desvãos da história - mas, confeso que meu cansaço aumenta a cada dia, tal como a inércia e as confusões da administração petista.
Entre os fatos e acontecimentos importantes ocorridos nestes 6 meses, me vem a cabeça no momento o caso bárbaro do menino João Hélio Fernandes aqui no Rio, os problemas com os operadores de vôos, a morte de Octavio Frias e agora o espancamento da doméstica Sirley Dias por jovens classe média na Barra da Tijuca sob alegação de que era prostituta(!) - se outras coisas relevantes me escapam, peço perdão pelo torto juízo. Deixando de lado a política e veredas maiores, na vida miúda o período foi de realizações, frustrações, dores, alegrias e de tantos outros pares antinômicos aos quais a existência teve direito (ou foi condenada). A falta de um canto com meus livros desencaixotados foi a agonia maior em meio a outras tristezas e felicidades substanciais. Eis um apanhado delas: defesa de tese, mesa de seminário (remunerado pela primeira vez!), carnaval no Rio, bolsa para orientar monografias num programa de educação à distância (a ôia!), as aulas na ong, Sport bi-campeão pernambucano, derrotas em São Januário e no Maracanã, aniversário no Cardosão, texto em revista, laptop, saudades de Recife, viagens (São Paulo, Araras, Ouro Preto), a entrega do velho apartamento, a falta do novo, a não resolução da documentação do carro vendido, Youtube, os shows do Lee Perry, da Nação Zumbi e do mundo livre, a falta dos exemplares definitivos da tese, Cartola - música para os olhos e Baixio das bestas, o artigo para um livro que não consigo fazer andar, São João na feira de São Cristóvão e, finalmente, o blog de onde sai esta prosa capenga. Ah!, e antes que ela e o semestre acabem, trago um último fato que foi a manchete de jornal com a qual me acordei hoje pela manhã:
Juiz nega a Cicarelli pedido de idenização do Youtube.
Com esta boa nova começo meu segundo semestre. Tá com pinta que será melhor...
