Duas pérolas que catei hoje de rolé na web:
1 - Uma matéria loucaça de um jornal de Santa Maria-DF, mais uma vez envolvendo religião e sexo;
2 - Um texto quente e inspiradíssimo d'O Carapuceiro.
Freak...
quinta-feira, 4 de março de 2010
De andada na web...
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Igreja Universal abrirá concurso para pastor. Salário é de R$ 8 mil! - utilidade pública

O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (CESPE/UnB) abrirá o primeiro concurso para pastor da Igreja Universal do Reino de Deus.
Segundo representante da Universal, o concurso público tem a intenção de recrutar profissionais qualificados para participarem do “a grande expansão da Palavra” e a “cultura popular de Deus”. “Já conquistamos nosso espaço em 172 países. Temos obras sociais espalhadas nos quatro cantos do globo. Precisamos de profissionais não apenas ungidos pelo Espírito Santo e preparados no fogo do Pai das Luzes para cumprir nossa missão evangelizadora, mas também de pastores com conhecimento técnicos para darem continuidade a essa obra tremenda” explica empolgado o pastor Ricardo Ibrahim, responsável interno da IURD pela organização do concurso.
Adavilson dos Santos, de 23 anos, morador de Guarulhos, pensa em fazer o concurso “Estou muito ansioso, sou pastor desde os meus 18 anos e obreiro da minha igreja desde os 11. Colei grau em Teologia ano passado. Sempre estudei bastante. Esta é uma oportunidade muito grande na carreira de qualquer pastor e não vou perdê-la”, vibra o jovem.
As vagas serão abertas para candidatos do sexo masculino com curso superior em quaisquer áreas. Candidatos com Bacharelado em Administração Eclesiástica ou Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Administração de Igrejas e disciplinas afins ganham pontos na prova de títulos. O número de vagas não foi divulgado. O salário inicial na investidura do cargo é de R$ 8.234,82 mais benefícios.
terça-feira, 10 de março de 2009
Sob o céu que nos protege
Depois de décadas perseguindo o que ainda existe de melhor na igreja católica, o arcebispo Dom José Cardoso resolveu voltar aos noticiários no ano do centenário de Dom Hélder Câmara. E no mesmo velho conhecido santa inquisição style.
Ao se posicionar no caso da menina de 9 anos que engravidou de gêmeos através de um estupro praticado pelo padastro, o religioso excomungou toda a equipe médica que realizou o aborto. Segundo ele, um pecado muito maior que o tresloucado ato do parente. É o mesmo Dom José, o de sempre, oratória da reação de volta as paradas do sucesso. No momento com as costas quentíssimas, incendiadas pela suposta inteligência do papa Bento XVI. Um time dos infernos.
Agora, pós-excomungada, o Dom do Ódio estuda com o Advogado da Arquidiocese, um tal de Márcio Medeiros, a possibilidade de entrar com uma denúncia no Ministério Público Estadual contra todas as pessoas que tiveram algum tipo de envolvimento no aborto. A ideia é denunciá-las por crime de homicídio.
E todos nós estamos envolvidos com esse aborto. Vivemos em um Estado laico, gracias (a Deus, completariam os que acreditam no velho barbudo, com todo respeito). É nosso dever combater a irracionalidade e o fundamentalismo de uma igreja medieval. Prestemos solidariedade a equipe do Centro de Atendimento Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM), instituição que realizou a interrupção da gravidez, respeitando devidamente o que determina a legislação e as normas técnicas do Ministério da Saúde. Não deixemos que a sociedade seja conduzida pelas forças de um conservadorismo atávico que nada nos soma, condenando homens de bem. Se possível, ganhemos as ruas! Sim, ganhemos as ruas! Sem omissão, tenho certeza que estaremos sob o céu que verdadeiramente nos protege.
Ps.: A Comissão de Cidadania e Reprodução lançou seu apoio aos médicos da CISAM com um abaixo assinado. Para participar, clique aqui.
Ps.2: Corre também na internet a campanha “Eu também quero ser excomungado”. Para aderir a ela, basta mandar um e-mail para arcebispo@arquidioceseolindarecife.org.br e solicitar o desejo...
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Aulas de cidadania do professor Risério*
Entre as leituras de verão que faço, uma vem chamando a minha atenção de forma especial. Trata-se do livro A utopia brasileira e os movimentos negros (capa ao lado) do poeta e ensaísta baiano Antônio Risério - uma indicação do professor de Letras da UFPE Anco Márcio que colhi por acaso no programa de televisão Opinião Pernambuco (TVU). O trabalho é uma coletânea de artigos sobre a questão racial no Brasil, tema pra lá de espinhoso, mas que é muitíssimo bem conduzido pela boa prosa do autor. Nos textos, Risério ataca a importação da política racial norte-americana para o nosso país - encampada por alguns intelectuais e lideranças do movimento negro - e exalta a nossa mestiçagem, respeitando defensores clássicos deste conceito como Gilberto Freyre, mas numa posição muito mais cosmopolita, distante da "doce" cristalização social açucarada do mestre de Apipucos. Além de mexer nestes "vespeiros", ele constrói ótimos panoramas de aspectos culturais brasileiros, como, por exemplo, uma interessante descrição da trajetória do candomblé no patropi, desde os primeiros grandes terreiros de Salvador até a sua época áurea quando foi adotado pela elite artística-intelectual brasileira (perdão pelo pleonasmo!) nos anos 1960-70, relato que se encontra no artigo "Presença de Exu", texto que contém esta bela passagem sobre a cultura religiosa dos povos iorubás:
"...a formação religiosa iorubana nada tem de 'salavacionista'. Africanos antigos nunca viveram ad majorem Dei gloriam. E aqui chegamos a uma tríade que marca todo o pensamento religioso clássico da África: antropocemtrismo, geocentrismo, pragmatismo. [John]Mbiti fala que, para compreendermos as religiões africanas, é preciso compreender a ontologia africana - uma ontologia 'extremamente antropocêntrica', onde o ser humano está numa posição-chave em relação a tudo o mais. Dominique Zahan não é menos categórica: o ser humano é o elemento central de um sistema ao qual ele mesmo impõe uma orientação centrípeta. A idéia de uma finalidade exterior à humanidade é estranha a tal pensamento. 'O homem não foi feito para Deus ou para o universo; ele existe para ele mesmo e carrega dentro de si mesmo a justificativa de sua existência.' Na verdade, as coisas parecem ser ainda mais extremas. 'Ibiti enià kò si, kò si imalè', ensina um ditado iorubano, registrado por Idowu: 'onde não há ser humano, não há divindade'. Os deuses são uma criação humana. Karin Barber abordou diretamente a questão: 'O conceito de que os deuses são criados pelos homens e não os homens pelos deuses é um truísmo sociológico. Pertence obviamente a uma tradição distanciada e crítica, incompatível com a fé naqueles deuses. No entanto, a religião tradicional iorubá apresenta uma concepção muito semelhante que, longe de indicar ceticismo ou declínio de crença, parece constituir um impulso vigoroso em direção à devoção'. Os iorubanos criam um segredo, investem uma entidade de poder, alimentam tal poder e glorificam tal entidade, beneficiando-se então da grandeza que forjaram. Passam a depender de um poder que depende deles. Uma relação de reciprocidade, portanto. Enfim, quando o que está em foco é a África, podemos dizer que, no sistema solar da religião, o ser humano é o sol."
Os artigos de A utopia brasileira e os movimentos negros são aulas de cidadania fundamentais para que nós, mestiços brasileiros (e somos todos!), tenhamos mais consciência do nosso lugar no caldeirão cultural nacional...
Infos:
UTOPIA BRASILEIRA E OS MOVIMENTOS NEGROS, A (2007)
RISERIO, ANTONIO
EDITORA 34
Preço = R$ 54,00
Ou então de graça aqui!
*Este post é dedicado a fotógrafa Dani Dacorso - que deve ler o livro!
