Mostrando postagens com marcador Rio de Janeiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rio de Janeiro. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Humaitá pra Peixe 2009

Para os que estarão no Rio neste final de semana, a dica é essa:

sábado, 1 de novembro de 2008

Para os amigos eleitores cariocas

No blog Biscoito Fino e a Massa está a melhor análise que li sobre as eleições municipais do Rio. Boa leitura!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O pai da Asa Branca

Ilustres amigos, pantaleões e visitadores(as),
os últimos dias andam dificultando minhas postagens neste latifúndio de pixels. É que ando as voltas com o novo trabalho e com um texto (para um simpósio) que preciso entregar até o dia 10 deste mês. Enquanto isso, indiferente aos meus dramas, rola solto aqui na Guanabara o Festival do Rio, com filmes inéditos espalhados pelas melhores casas do ramo desta cidade. Pra terem uma idéia, não fui assistir a uma película sequer!

Mas aproveito a siesta desta sexta pra divulgar o trabalho do amigo Lírio Ferreira que faz estréia hoje na função. Trata-se d'O Homem Que Engarrafava Nuvens, documentário sobre Humberto Teixeira (foto), o cabra-bom que, junto com o Rei do Baião, compôs "Asa Branca", maior hit sertanejo de todos os tempos.
Para quem interessar, eis as datas, os horários e, ainda, os locais onde o danado será projetado:

SEX (3/10) 20:00 Palácio 1
SAB (4/10) 11:00 Odeon Petrobras
DOM (5/10) 15:40 Est Vivo Gávea 3
DOM (5/10) 22:10 Est Vivo Gávea 3

Agora digam que não foram avisados?!

Prestigiem, criador e criatura entendem do riscado!

e bom final de semana a todos... Dr. E.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Conspiração filme

Gostam de teorias da conspiração? Mesmo que não, assistam Zeitgeist, the movie! Trata-se de um filme de 2007 produzido por Peter Joseph (pseudônimo de James Coyman) da NYS Division of State, que apresenta uma série de teorias de conspiração relacionadas ao Cristianismo, aos ataques de 11 de setembro e a Reserva Federal dos Estados Unidos da América. Incrível.
Para assisti-lo, basta clicar aqui. E me digam depois...

Em tempo: Zeitgeist significa “espírito da época” em alemão.

Em cima da hora: A Mombojó, ótima banda pioneira em disponibilizar seus discos gratuitamente na web, faz show hoje no Rio de Janeiro. Serviço: Teatro Rival, 21:30 hs, 30 realezas...


Bom final de semana a todos!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Circo dos combatentes do samba


Pra não passar a semana em branco, uma informação quase de última hora: para os que estão no Rio, amanhã (06/09) no Circo Voador, mundo livre s/a (foto), a outra melhor banda do planeta, apresentando o Combat Samba, último disco do quinteto. Mais infos aqui. Não percam!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A melhor banda do mundo!!!


Embaixada não, Reino da alegria! Punk Reggae Parque em Santa Tresa, Rio, 31/08/08.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Ainda no Rio...

Esqueci de informar ontem no post: também neste final de semana, só que no sábado (07/06), primeiro show da Orquestra Contemporânea de Olinda no Rio. Com um super-time de músicos (que inclui a fera Maciel Salu), ela toca na festa Ronca Ronca que acontece no Estrela da Lapa. Pra quem não conhece, recomendo. Primeiríssima...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Fome no Circo

Para os que estarão no Rio, nesta sexta dia 06/06 no Circo Voador, Fome de tudo, último trabalho da Nação Zumbi. Mais informações aqui.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Pode me chamar que eu vou! - Eddie no Teatro Odisséia


Para os que estão na Guanabara, amanhã, quarta 21/05, tem show do Eddie no Teatro Odisséia. Maiores informações aqui. Tô lá!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Que situação, hein Debord?

O título desse post é o mesmo da mostra sobre o Situacionismo que está em cartaz no Centro Cultural do Banco Brasil do Rio. Começou ontem e vai até o dia 06 de maio com projeções de filmes, palestras, debates e intervenção urbana. Aos que moram ou tão de passagem pela Guanabara, vale a pena uma fuçada - acabei de chegar do filme Sociedade do Espetáculo (homônimo ao clássico livro) de Guy Debord. Maiores informações aqui.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Sexta Jorge

Passei a semana preso entre um trabalho e um artigo e nem pude dar as caras por aqui. Com o texto pronto, fico um pouco mais livre (na verdade, ontem me apareceu uma encomenda-brodagem com o prazo já na agulha) e a idéia é publicá-lo por partes na próxima semana nesta bodega eletrônica, seja ele aceito ou não pelas instâncias maiores (organizadores da revista de uma facu daqui do Rio). Aguardem, fica a promessa.
Pra não deixar a semana em branco, seguem no anexo imaginário do clipe abaixo meus votos de bons feriados: de São Jorge (23/04) aos cariocas e catalães e de Tiradentes (21/04) a todos os brasileiros. Saúde e paz, Dr. E.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Acaso e nostalgia dos 90*

A memória é uma coisa engraçada. Um simples acaso é capaz de resgatar lembranças que eu já considerava mortas na minha cabeça. E ao fazer isto, o acaso frequentemente cria estruturas narrativas inteiras no meu juízo. Para alguns cronistas, ele é uma espécie de semente que faz brotar seus textos - com este bissexto aqui não é muito diferente, conforme mostra a pequena história que segue abaixo.
Pois bem, ontem ao sair de um shopping na zona sul do Rio, cruzei no corredor que dá acesso ao estacionamento com o músico e compositor João Bosco. O corredor estava completamente vazio, apenas nós dois trafegávamos por ele, um em cada extremidade, caminhando em trajetórias opostas até nos cruzarmos e seguirmos indiferentemente nossos destinos. Até aqui tudo normal, apenas um clássico do cotidiano carioca: cruzar com artistas nas ruas. Mas meu cérebro teimou que não.
De antemão aviso que não tenho nenhuma relação com o autor de “O bêbado e o equilibrista”, nada que pudesse me deixar comovido ou alterado emocionalmente. No entanto, nosso “encontro” me evocou um turbilhão de lembranças da década de 80 quando eu e um grupo de amigos (salve Karina, Paulinho, Pio, Rodrigo, Guga da Sé!...) tentávamos entrar nos shows que ocorriam no grande (mesmo!) teatro Guararapes do Centro de Convenções de Pernambuco. Como não tínhamos dinheiro, fazíamos de tudo para assistir aqueles que na época eram nossos ídolos (não, apesar de ótimo violonista e de sua citada canção ter dado nome a uma das paradas do Eu Acho é Pouco, acho que João Bosco não entrava no nosso rol). Lembro-me de várias ocasiões em que saíamos direto do colégio, ao meio-dia, rumo ao local do show para assistirmos a passagem de som do artista e depois irmos ficando nas coxias, fazendo-nos de lesos para que a produção ou os seguranças não dessem conta de nós. Eram horas de tensão e falta de comida – comumente ficávamos até o término do show sem comer! Quando conseguíamos algum convite, era motivo de festa, dava pra dar uma saidinha e beliscar alguma besteira. Passamos por inúmeras situações, desde de ter que saltar muros até percorrer corredores absolutamente escuros.
Com os anos 90 esse drama acabou. Nossos ídolos eram nossos amigos...


*Este textinho vai p/ Karina Buhr. Beijo Flôzia!!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Cristo e o Camelo



As palavras podem criar engrenagens engraçadas (como esta própria seqüência de substantivo e adjetivo, por exemplo), proporcionando visões esquisitas e outras tantas maluquices mais.
Da janela do meu quarto, tenho uma vista privilegiada para o Corcovado. Mas afinal, o que quer dizer corcovado?
Segundo o dicionário que disponho em mãos: adj. Que tem corcova; curvado; corcunda.
Antes, nunca tinha imaginado uma aproximação entre o Cristo Redentor e o camelo (e verdade que o todo poderoso viveu na região do bicho).
Agora, sempre vejo Nosso Senhor montado no tal quadrúpede.

Rio, 18/05/99.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Referências bibliográficas

A farra já se distancia uns dois dias, pero (el portunhol selvagem se deve a ela) minhas mãos ainda tremem ao tentar equilibrar café e cigarro. Definitivamente, não sou mais um profissional. Tento me recompor através da ôia, do batente que me põe a comida na barriga, pero, una vez más, estoy como un náufrago. Entremear patuscada e obrigação é como um sonho interrompido por guilhotina, para a qual você é empurrado com o gosto de angu de sangue ainda na boca...

_________________________________________________________

Este final de semana rolou no Rio o evento literário "Popular" organizado pelo gaúcho Paulo Scott (outras edições já tinham ocorrido em POA e Sampa). Na ocasião, tive o prazer de conhecer Joca Reiners Terron, de quem já conhecia suas duas pérolas: a musa - nossa princesa do Cariri! - e a literatura, e Marcelino Freire, cujo Contos negreiros é o desejo de quem quer fazer da arte da escrita uma coisa popular nesse país. Dois salves e muitíssimo prazer! E ainda sobrou dois dedos de prosa com João Paulo Cuenca, autor que já conhecia de Corpo presente, pelo livro e por uma mesa que mediei certa vez na Puc-Rio. É de Cuenca a crônica que compilo abaixo, publicada n'O Globo de hoje e que diz respeito ao filme tratado no penúltimo post deste blog. Classe A, confiram!

Tropa de elite: Osso duro de roer

Se precisasse definir o Brasil numa frase, diria que é o país do perdão. O país da anistia ampla, geral e irrestrita. Anistia que, em lei aprovada pelo governo Figueiredo, não somente livrou a cara dos perseguidos pela ditadura entre 1964 e 1979, mas que também abriu as asas da liberdade aos perseguidores e criminosos “oficiais”. Neste país de consciência livre, estupradores, torturadores e assassinos hoje jogam peteca na praia de Copacabana e curtem sua tranqüila aposentadoria. Depois de encher os bolsos, mandar bater e lotear estatais por duas décadas com sobrinhos com dificuldade de aprendizado, os milicos têm a vida que pediram a Opus Dei.

O Brasil, e isso costuma chocar mais nossos companheiros latino-americanos do que a nós mesmos, é o país mais atrasado do continente quando se fala em punir os responsáveis pelos abusos cometidos pelo regime militar. Para o bem da “paz e harmonia nacionais”, o governo e a sociedade preguiçosa abaixam as orelhas e deixam pra lá. No país da anistia, tudo é perdoado com esquecimento. O que aconteceu deixa de ter acontecido, como se a roda da história se alimentasse de si mesma, num processo autofágico e irreversível.

O custo dessa amnésia tão simpática e conveniente é alto. Esse déficit moral faz com que o brasileiro aceite a idéia de tortura e violência policial como quem come um pastel de carne moída.

***

Escrevo esses parágrafos, como vocês devem imaginar, movido pela experiência de assistir à pré-estréia de “Tropa de elite”, na última quinta-feira, no Odeon. Além da equipe do filme e usuais papagaios de pirata, a sessão contou com a presença, in loco, de Harvey Weinstein, criador da Miramax, vencedor de 45 oscars, produtor de blockbusters como “Pulp Fiction” e “Senhor dos Anéis” e, claro, co-produtor de “Tropa de elite”. Weinstein, segundo perfil publicado pela New Yorker, é conhecido como “Harvey mãos de tesoura” pelo seu hábito de interferir na montagem dos filmes que produz. Imagino que não tenha sido o caso.

Poderia entrar no mérito exclusivo do filme e dizer que é impecável no que se propõe e que, apesar (e por causa) da pirataria, será um sucesso de bilheteria estrondoso. Ainda poderia escrever que “Tropa de elite” na maior parte do tempo parece um institucional nauseante do BOPE – no final, só faltou o “Aliste-se já!”. Apesar disso, levanta algumas lebres, dá um par de tiros certeiros e deixa pelo menos uma cena na memória – aquela do policial Matias invadindo uma passeata pela paz na PUC.

Ao mesmo tempo, o filme é de um reacionarismo que talvez não tenha paralelos na história do cinema nacional. O texto é claro como pó de mármore: o tráfico de drogas é um câncer, a elite branca é hipócrita, a PM é corrupta, e o BOPE é incorruptível. Só o BOPE, através de seus imaculados princípios, nos salvará das trevas. E para isso, tem certas licenças nada poéticas – a tortura é a principal delas. Eles, que são puros, fazem o serviço sujo que nós, hipócritas de classe média, não encaramos. A lógica do discurso policial que “Tropa de elite” reproduz é cristalina.

O problema começa quando esse monstro disforme chamado opinião pública faz uma leitura do filme que corrobora esses métodos e valores. E aí, “Tropa de elite” pode perigosamente entrar para a história como o filme da geração “Cansei”. O público torce pelo herói torturador e mata com ele, tortura com ele, em repetidas cenas à la Abu Ghraib – ou “Guantanamo no Rio de Janeiro”, como disse meu amigo Daniel Alarcón. As celebridades enfiadas em black-tie aplaudem cada porrada, num frisson de adrenalina, e todos se convertem instantaneamente em perfumados torturadores de gabinete.

Depois, é claro, sabe-se que vem o perdão, nossa querida e mui conhecida anistia, para o torturador assassino justiceiro e para nós, apêndices conexos dessa violência, como diz a lei número 6.683. Porque, para o bem da “paz e harmonia nacionais”, os fins justificarão os meios até o (nosso) fim. Enquanto isso, o pastel de carne moída segue descendo bem pela goela de todos. O uísquinho servido em coquetéis de estréia como a de “Tropa de elite” pode ajudar.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

São, São Paulo meu amor

A verdade é que me fazes sentir o mais covarde dos homens. Sim, giganta dos desvarios gris, muito bem sei que isso é problema exclusivamente meu, espécie de para-raios das incertezas do mundo e ainda atravessado pelo amor de Mauricéia. Confidencio que contigo a esqueço, pior, esmoreço engabelado por tuas noites, tuas conversas, por teus desprendimentos e tuas bancas modernas. Por que não te assumo? Ora, inverto é a sentença: o que queres tu de mim? Eu que sou apenas um frouxo cafuçu...

__________________________________________________

Estive em São Paulo no último final de semana e muito me impressionou a quantidade de colunistas cariocas escrevendo nos grande jornais da cidade. Já no Rio na terça-feira, ao ler meio por acaso (em geral, só faço nos finais de semana) um desses periódicos, encontrei essa coluna fina da Cecília Giannetti que transcrevo abaixo:

De mudança

QUANDO SÃO Paulo me rouba um amigo, engulo em seco e minto: não é o fim da picada, vamos nos visitar. Aí São Paulo -gigante, esperta, não dá pra brigar com ela- vai e me rouba outro. Ameaça carregar mais.

Ultrapassa qualquer lugar do Brasil nesse esporte cruel de tragar filhos do balneariozinho macabro de onde teclo, de levar embora quem me torna suportável o exercício diário de encarar as mesmas calçadas esburacadas.
O abominável excesso de adjetivos hoje não é tentativa de vingança contra São Paulo: é reação que não posso evitar quando essa cidade adota mais um dos meus. Cuspo adjetivos, advérbios; melhor do que chorar, verbo copioso.
Autodestrutiva, uso até o ponto-e-vírgula, coisa que Kurt Vonnegut enquadrava como crime.
Brasília até hoje só me levou um amigo (tinha ambição de diplomata, fazer o quê, prendê-lo ao pé da mesa?), contra a legião que migra para SP agora no que me parece uma revoada. Meus anjos todos se mandando daqui.

Marketing, tecnologia, assessorias, bons salários. Empregos! Nenhum desses ex-cariocas que conheço mudou-se por amor. Nenhum deles conheceu uma moça ("os cornos da Audrey Hepburn") num centro cultural da Paulista e ficou. Fala mais alto a primeira necessidade, apelido do dinheiro, que não é chique mencionar. Quem pode culpá-los? Não os cariocas.

São Paulo atrai com tudo o que o Rio de Janeiro não tem mais desde que começou a deixar de ser mercado para se tornar quase exclusivamente balneário (macabro, macabríssimo), sem que essa transformação resultasse em grandes saltos positivos para o turismo local. Pelo contrário, a turistada também há de fugir.

Péra lá, aqui ficam poucos e bons. Mas até quando? Nem quero pensar nisso. Prefiro ser pega de surpresa, com a notícia chegando de longe, a 400 km de distância. À francesa: "Não vivo mais aí".

Sem festas de despedida, sem abraços, sem presentes, sem promessas. Vão pra Lôca, pro cinza, Cemitério de Automóveis, Mercearia São Pedro, cortes de cabelo assimétricos, inverno sério, digno de cachecol e sobretudo, vão.

Pra mim encerra-se a picuinha bairrista centenária: São Paulo, de fato, é melhor do que o Rio agora que vocês estão lá.
Os que sobramos na cidade fantasma reconhecemos meia dúzia de rostos e mais ninguém. Qualquer dia também fugiremos, vão arrumando o sofá pra gente dormir na sala.

Outros irão pro exterior, não lhes bastará distância pouca. Como se fosse necessário esvaziar um país inteiro para que ele se reconstrua sozinho. Não se pode culpá-los também. Talvez, num lance inédito da história mundial, o poder regenerativo do Brasil prescinda de pessoas para se pôr em ação.

Aos que partem, portanto, boa cidade nova. E um refrão do Antonio Cícero que a gente ouvia no rádio, na famigerada década de 80: "Você me abre seus braços/ e a gente faz um país".

terça-feira, 19 de junho de 2007

Infra-estrutura


Fim de tarde, bicicleta e ciclovia. Gávea-Leblon-Ipanema. O Rio de Janeiro continua lindo. Vou correr um conjugado para alugar no último bairro. Ao chegar no pilotis, identifico o sotaque do porteiro:
- Você é nordestino de onde? pergunto.
- Boqueirão. Conhece?
- Não tive a honra, só ouvi falar. Já fiquei em Campina.
Saio com destino a farmácia mais próxima. A caixa me atende com a mesma entonação:
- Mais alguma coisa, senhor?
- Só uma: de que cidade do Nordeste você é?
- Queimadas.
Pedalo o caminho de volta. E o Rio de Janeiro continua lindo...

quinta-feira, 10 de maio de 2007

O resgate do Moustache


Esta semana estava vasculhando meu estranho baú e entre textos, fotos etc., encontrei um folheto escrito há quase 10 anos pelo polemista mundialmente famoso Bob Moustache, também conhecido como Bigode de França. E apesar do tempo, confesso que fiquei incrível com a atualidade da prosa da “aima”, sobretudo diante dos recentes acontecimentos no mundo da cultura nacional, onde secretário de cultura de Estado voltou a decretar o que deve ser ou não considerado como cultura popular (cadê o povo do adjetivo?!) e crítico de jornal passou a se julgar dono do samba (decidindo quem pode ou não falar do democrático ritmo). Como diria Eustrácia, a égua falecida do meu compadre lá de Pau-Amarelo Beach: “agora fodeu a tabaca de Xôla!”
Com vocês, concordando ou não, a verve do velho Bigode:

Glauber, mangueboy avant la lettre
Por Bob Moustache

Talvez por causa do legado da militância comunista de outrora, não costumo atribuir as coincidências qualquer conotação espiritualista. Mas que elas existem, nem o mais cético dos homens poderia duvidar. Outro dia me ocorreu uma que fez lembrar o meu velho e combalido (pero sempre decente!) Pernambuco.
Numa bela tarde de outono, andava eu pelas ruas do bairro de Botafogo, terra de São Sebastião, com destino ao Tempo Glauber – local onde se encontra o arquivo do cineasta – pra fazer uma pesquisa. No meio do caminho, parei diante de uma banca de revistas onde avistei uma publicação que trazia na capa a foto de Ariano Suassuna, anunciado como o mais legítimo dos brasileiros. Ri do tom um tanto sensacionalista da chamada, mas confesso que só não levei a danada porque tava liso.
Chegando no Tempo Glauber, ao abrir a primeira pasta com recortes de jornais, eis que encontro uma matéria publicada n’O Globo em fevereiro de 1977 (pasmem, eu escrevi 1977!) na qual trazia o seguinte depoimento do homem que pôs a Terra em transe:

“Se você pensar bem, o folclore – de uma maneira geral – é uma coisa muito reacionária, até servil. Você vê que em muitas manifestações folclóricas de origem africana, como surgiram no tempo da escravidão (o Brasil foi um dos últimos países do mundo a libertar seus escravos), trazem muito forte a marca da servidão, de cantar e dançar e contar histórias para divertir os senhores. Mesmo depois da escravidão, esse traço continua muito forte. Como no candomblé para turista, como na escola de samba. Não é coisa de ter gente de fora ou de mais ou de menos ou de ‘autenticidade’, é alguma coisa mais grave – como uma genuína manifestação popular, que tem suas origens na arte negra, buscar seus modelos na História Branca do Brasil, com raras exceções. Aquelas roupas ‘da Corte’, a cabeleiras brancas, tudo fica desagradavelmente ligado a uma idéia de (desnecessária) frustração, de querer ser como eram os senhores, de divertir a classe média – onde estão os novos senhores de novas formas de escravidão. Mas eu acho que está, que vai inevitavelmente mudar, que as escolas vão buscar cada vez mais temas e estruturas ligados a riquíssima origem afro-brasileira da celebração, em que podem participar brancos, pretos e mulatos preocupados em viver sua própria alegria que satisfazer as expectativas de uma platéia.” (O Globo 17/02/1977)

Nada mais óbvio que as palavras do cineasta tenham imediatamente me remetido ao personagem da banca de revistas. De bate-pronto pensei nos propósitos do movimento Armorial (espécie de cosmética da fome - salve Ivana Bentes no sample do próprio diretor! - que enganou elite e classe média acadêmica do Recife e alhures) de refinar(?) a cultura popular para o consumo esclarecido (diversão das tais classes). Lembrei também das polêmicas que atravessaram os anos 90 recifenses envolvendo o próprio Ariano e a geração Mangue, controvérsias que o secretário, talvez por preguiça ou desleixo, parecia querer resolver através de uma mera questão lexical (Science ou Ciência?). O rol de pensamentos poderia se desenrolar aqui infinitamente, o que comprova a pertinência e a atualidade do texto de Glauber. Aliás, Glauber que sabia tudo de cinema e de política, com seu terceiro-mundismo internacional ou, para usar a feliz expressão da vez, com seu cosmopolitismo periférico(Ângela Prysthon, dois salves!), foi um verdadeiro mangueboy avant la lettre...

*(reparem o chapéu-coco da foto do post! diz o conversador lá de França que era da mesma marca do de Chico Science)

domingo, 6 de maio de 2007

A estação da Guanabara - notas dominicais I

Tenho alguns amigos fotógrafos e cineastas os quais prezo muito.
Volta e meia eles conversam sobre a luz, assunto do qual sei pouco.
Das luminosidades confidencio:
Só reconheço o outono do Rio.
E sobre a estação carioca revelo um outro segredo:
Não tenho a menor pretensão em ser poeta (substantivo condenado da língua),
mas se um dia conseguisse transformar em palavras tal esplendor,
atenderia, sem maiores pudores, pelo tratamento.
(Rio, primeiro domingo de maio, outono 2007)