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domingo, 11 de abril de 2010

Os donos da palavras - notas domênicas

"As palavras pertencem metade a quem fala, metade a quem ouve."
Montaigne

domingo, 14 de setembro de 2008

A maior das tarefas - notas dominicais

"Somos grandes tolos. 'Ele leva a vida no ócio', dizemos; 'Hoje nada fiz'. Como assim, não viveste? Essa é não apenas a tua ocupação fundamental; é também a mais ilustre. 'Se estivesse em uma posição que me permitisse gerir grande feitos, eu teria mostrado o que sou capaz de fazer'. Conseguiste pensar e gerir a tua própria vida? Realizaste a maior das tarefas. Para demonstrar e explorar os próprios recursos, a Natureza não precisa de sorte; a Natureza mostra-se, igualmente, em todos os níveis e por trás de uma cortina, e também se mostra sem a cortina. Nosso dever é compor o nosso caráter; não é compor livros; não é vencer batalhas e províncias, mas conquistar a ordem e a tranquilidade em nossa conduta. Nossa grande e gloriosa obra-prima é viver adequadamente. Todo o restante, governar, poupar, construir, são, no máximo, pequenos acréscimos e acessórios."
(Michel de Montaigne)

domingo, 7 de setembro de 2008

Palavras vasculares são apenas para homens de verdade - notas dominicais

"A sinceridade e o vigor do homem chegam até as sentenças por ele escritas. Desconheço livro que pareça menos escrito. É a linguagem da conversação transferida para um livro. Se cortarmos as palavras, elas sangram; são vasculares e vivas. A escrita produz a mesma satisfação que sentimos ao escutar o discurso de homens a respeito de seu trabalho, quando alguma circunstância incomum confere importância momentânea ao diálogo. Pois ferreiros e condutores não titubeiam na fala; é uma chuva de balas. São os homens de Cambridge que se prestam à autocorreção, voltando ao início de cada meia sentença; e, ademais, costumam fazer jogos de palavra e burilar a linguagem, e se desviam da questão, em favor da expressão."
(Emerson no ensaio "Montaigne; ou, o Cético")

domingo, 31 de agosto de 2008

Filho dos outros - notas dominicais

"Que as pessoas possam perceber, naquilo que tomo emprestado, se eu soube escolher algo capaz de desenvolver meu tema. Pois faço terceiros dizerem o que não sei dizer tão bem, seja pela deficiência da minha linguagem, seja pela deficiência do meu entendimento. Não conto os empréstimos que tomo, eu os peso. E, se desejasse avaliá-los em função do número, teria acumulado o dobro. São todos, ou quase todos, tomados de figuras tão célebres e antigas que parecem se identificar o bastante, sem que eu precise fazê-lo. Nos pensamentos e criações que transplanto para o meu solo e aos meus mesclo, de quando em vez, propositadamente, não indico autor, a fim de deter a temeridade daquelas condenações prematuras que são disparadas contra todos os tipos de escritos produzidos por homens que ainda vivem, e escrevem na língua vulgar, que a todos convida a falar.(...)Preciso esconder a minha deficiência atrás dessas grandes autoridades. Aprecio qualquer um capaz de me superar, isto é, pela clareza do discernimento e pela distinção da força e beleza das observações. Pois eu que, por falta de memória, sempre deixo de percebê-las com base no conhecimento de suas fontes, posso muito bem perceber, ao avaliar a minha capacidade, que o meu solo não é, absolutamente, capaz de produzir as belas flores que por lá encontro semeadas, e que o frutos da minha própria lavra não podem a elas se comparar."
(Michel de Montaigne no ensaio "Sobre Livros")