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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Biu Roque (obituário)

A cultura popular brasileira está de luto: faleceu na última sexta-feira um de seus bastiões, o brincante caboclo Biu Roque. Segue abaixo uma matéria de Michelle de Assumpção sobre o fato que foi publicada sábado no Diário de Pernambuco.

Silêncio na sambada
A cultura popular de Pernambuco perdeu um patrimônio vivo. João Soares da Silva, o Biu Roque, morreu na noite da sexta-feira, por complicações ocasionadas por um AVC, sofrido há duas semanas. Por coincidência, poucas horas após sua partida, dois de seus principais discípulos tinham show marcado no mesmo palco, na programação paralela do festival Abril pro Rock, no Recife Antigo. Alessandra Leão e Siba com a Fuloresta do Samba não deixaram de se apresentar, pois ambos lembraram de imediato o que dizia Biu Roque à respeito da morte, a dos outros e a sua própria.

"Quando eu morrer, quero que a sambada continue", falava. E assim foi feito. Depois do show, nos bastidores, Alessandra Leão e seu marido, o arranjador, violeiro, compositor e produtor Caçapa comentavam a amizade que fizeram com Biu Roque, que começou há muitos anos e se intensificou há pouco mais de um ano, quando entraram em estúdio para gravar o primeiro CD só de Biu Roque, que vai se chamar A noite hoje é a maior. Está tudo gravado, vozes e instrumentos, só falta mixar e masterizar. No dia da sua partida, Alessandra tinha recebido a arte da capa do disco. Por muito pouco Biu Roque não viu seu primeiro disco solo ficar pronto.


No myspace do artista – ex-cortador de cana-de-açúcar, nascido em Condado e morador do sítio Chã do Esconso, em Aliança - é possível ouvir e ler um pouco sobre a sua história. A página foi desenvolvida por Alê e Caçapa, para que o valor da obra de Biu ficasse cada vez mais conhecido do povo. Mesmo sem toda a fama de um Salustiano, Biu Roque tinha o mesmo tanto de conhecimento. Tinha total domínio de gêneros musicais tradicionais como o coco de Roda, a ciranda, o maracatu rural e as toadas de Cavalo Marinho, e os sambas típicos da Zona da Mata.

No myspace também está sua discografia. Todos os discos que tiveram a participação de Biu Roque são até hoje alguns dos mais importantes para a cultura popular, sobretudo o cavalo-marinho e o maracatu rural, dos quais era mestre maior. Entre eles, os álbuns do Mestre Ambrósio, de 1996 e 1999. O rabequeiro Siba Veloso foi – entre os da nova geração de músicos pernambucanos ligados à tradição de sua terra - discípulo e ao mesmo tempo um exemplo para Biu Roque. Pois foi através da banda montada posteriormente pelo ex-Mestre Ambrósio, chamada Fuloresta do Samba, que Roque pode viajar o Brasil e o mundo inteiro, participar de discos e ter sua importância cada vez mais atestada por todos que conviveram com ele.

A primeira grande platéia de Biu foi no Abril Pro Rock, em 2003. No ano seguinte, ganhou o mundo com a Fuloresta, numa turnê de duas semanas pela na Europa. Foi a Portugal, Holanda e França. Na voz e na percussão da Fuloresta do Samba, a “goela de ouro da Mata Norte” esteve nos CDs e DVD do seu grupo com Siba, mas também figurou em discos como: Siba e Barachinha (No Baque solto somente, de 2003), no disco de Beto Villares (Excelentes lugares bonitos, de 2003), no disco Pimenta com Pitú, de seu Luiz Paixão (2005), em Brinquedo de Tambor, da própria Alessandra Leão (2006, Independente) e em coletâneas locais - como Frevo no mundo (Candeeiro Records, 2008) – e estrangeiras, a exemplo de What‘s Happening in Pernambuco: New Sounds of the Brazilian Northeast (2007, Luaka Bop) e Criolina: Globrazilian Grooves - Coletânea (2008, Independente).

Quando subiu ao palco, no último sábado, Siba sabia que o fazia muito pelo gosto do mestre que fosse assim. Os metais da Fuloresta soavam mais solenes e na percussão, estava o filho, Mané Roque, mas faltava o pai. Mesmo triste, foi um show forte e todos tocaram com vontade e emoção. Vão ter que se acostumar assim. “Eu tenho certeza que ninguém passou aqui o que esse homem passou de dureza na vida e mesmo assim eu nunca o vi sem estar sorrindo, sempre alegre, foi um privilégio tê-lo conhecido”, falou Siba que, naquela noite, terminou o show mais cedo que de costume. Era hora de voltar a Zona da Mata para a última despedida. O enterro do mestre estava programado para o fim da tarde do sábado, em Goiana.

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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Malcolm McLaren, morre aos 64 anos - obituário

Malcolm McLaren, "inventor" dos Sex Pistols e um dos articuladores mais criativos da história do pop, morreu nesta quinta (8), aos 64 anos, em Nova York. Ele sofria de câncer há bastante tempo.
Em 1971, McLaren abriu em Londres uma loja de roupas com a estilista Vivienne Westwood chamada Sex. Foi entre os frequentadores da loja que ele encontrou os voluntários para sua empreitada mais famosa, os Sex Pistols. A banda detonou o movimento punk na Inglaterra, atingindo sucesso e polêmcia na mesma medida. Seu álbum, Never Mind the Bollocks, é considerado um dos melhores discos de rock de todos os tempos.

segunda-feira, 22 de março de 2010

MORRE ATOR QUE INTERPRETOU DANIEL BOONE - obituário

O ator norte-americano Fess Parker, 85, que interpretava o protagonista de "Daniel Boone", morreu na última quinta de causas naturais. Nascido no Texas, nos últimos anos, ele se dedicava à produção de vinho em uma propriedade na Califórnia. Uma das pioneiras séries de aventura, "Daniel Boone" estreou em 1964; a história foi lançada no Brasil em DVD em dois volumes em 2006.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Três foiçadas


"Tem dia que a noite é assim", ecoou ontem o sample popular na boca do meu compadre marinheiro. Mas hoje parece ser dia que a noite não tem fim: acordei com a Indesejada num movimento de três foiçadas.


Antes da leitura matinal do jornal, soube por telefone do falecimento do cineasta Sérgio Bernardes, pessoa que conheci na época em que a produtora Pólo de Imagem ainda funcionava no Poço da Panela, bairrinho do Recife. Conheci Sérgio muito rapidamente através de minha ex-mulher com quem trabalhava. Recordo-me de um aniversário de sua filha que fui na casa que lhe deu a guarita recifense e onde tive tratamento fino. Pareceu-me um homem de generosidade e bastante afetuoso.


Ao abrir o jornal, leio no obituário a morte de José Agrippino de Paula, o autor de Panamérica, obra basilar para o Tropicalismo. Este livro talvez tenha sido o primeiro romance a trazer a cultura pop para a literatura brasileira. Nunca o li, mas sempre me foi uma promessa, tendo em vista que ele é daqueles textos que permeiam o universo de todo sujeito que invereda pelos caminhos da discussão cultural no Brasil - ainda devo a leitura, assim como a d' O romance da Pedra do Reino do velho Suassuna. Não pude cumprir minha promessa com o escritor em vida, uma pena.


Por fim, já a postos para o trabalho na web, tomo conhecimento da partida do menino Rafa, flautista da Mombojó. Confidencio ter sido esta a perda mais sentida - e que fique claro aqui que a intensidade da dor em nada rima com valor. Escrevo estas mal-traçadas por relações afetivas e só - todos de alguma forma me faltarão. Não que eu fosse amigo do músico, com quem só troquei duas palavras no Garagem, espécie de CBGB do miserê. Afora sua pouquíssima idade (tinha 24 anos), quem ouviu comme il faut o Nada de novo, primeiro disco da banda, talvez tenha dimensão da lágrima que derramo. Quem ainda não o escutou clique aqui, baixe o álbum inteiro (salve o copyleft!) e vá direto para a faixa "Duas Cores", obra-prima em que Rafa tatua suas notas em nossos tortos e líricos corações. Que o destino o carregue para o reino da alegria, sempre.