"É isso o que você deve fazer:
amar a terra e o sol e
os animais, desdenhar as riquezas, dar
esmolas a todos que pedirem, defender
os dementes e os loucos, dedicar sua renda
e trabalho aos outros, odiar os tiranos,
não discutir sobre Deus, ter paciência
e indulgência com as pessoas, não tirar
o chapéu para o que é conhecido ou o
que é desconhecido nem a nenhum homem
ou grupo de homens, acompanhar
livremente as poderosas pessoas analfabetas
e os jovens e as mães de família,
ler estas folhas ao ar livre em todas as
estações de todos os anos de sua vida,
examinar de novo tudo que foi dito na
escola ou na igreja ou em qualquer livro,
rejeitar tudo que insulte sua própria
alma, e sua própria carne será um grande
poema e terá a fluência mais rica não
só na forma de palavras mas nas linhas
silenciosas de seus lábios e rosto e entre
os cílios de seus olhos e em toda junta
e todo movimento de seu corpo..."
Walt Whitman, trecho de "Folhas da relva"
domingo, 1 de agosto de 2010
"É isso o que você deve fazer" - notas domênicas
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Miró amanhã no Laboratório!

A edição de amanhã do projeto Laboratório Literatura & Crítica, programa ao vivo de bate-papo sobre Literatura e Crítica Literária, receberá como convidados Fábio Andrade e Miró que tratarão do tema que mais conhecem: poesia. Será as 19:00hs, no teatro Apolo-Hermínio que fica na Rua do Apolo, 153, Bairro do Recife. Vale a pena um confere!
segunda-feira, 31 de maio de 2010
domingo, 25 de outubro de 2009
Delivery - notas domênicas
“É a linguagem que está a serviço da vida
não a vida a serviço da linguagem”
Paulo Leminski
domingo, 4 de outubro de 2009
Lembrança aos criadores - notas domênicas
"Sem forma revolucionária não há arte revolucionária."
Vladímir Maiakóvski
domingo, 13 de setembro de 2009
Original Style - notas domênicas
"Todas as famílias felizes se parecem, mas cada família infeliz é infeliz à sua maneira."
(abre-alas do romance Anna Kariênina, do escritor russo Liév Tolstoi)
domingo, 6 de setembro de 2009
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Mordeno e assoprano
Seguem duas dicas de leituras pro final de semana:
- Vozes da Democracia, contra-informação sobre o quarto poder brasileiro (capa ao lado);
- Enter, antologia de escritores brazucas que usam a web como suporte para seus textos - a seleta foi organizada pela Heloísa Buarque de Hollanda.
Tudo no precinho do ar que você respira, o custo de um clique. Aproveitem!
Ps.: ficou bonitapracarái a Eita! - volume 2, revista publicada pela Prefeitura da Cidade do Recife, que foi lançada ontem na velha Mauricéia. Ainda não está on-line (quem quiser o volume 1 em formato digital é só clicar aqui!), acha-se em bancas e livrarias da capital pernambucana.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Coelho copyleft!
Falem mau dele agora: Paulo Coelho declara apoio a documento que pede a liberação do compartilhamento!
Já fez mais pelo mundo do que boa parte da literatura brasileira publicada...
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Moonwalk in the sky...
Segue abaixo uma homenagem deste Dr. E. ao Mago do Passo (crônica escrita por Xico Sá publicada no velho site O Carapuceiro e que integrará uma coletânea com os melhores textos deste órgão organizada pelo editor aqui juntamente com a diva Adriana Vaz)
O maior passo da humanidade
Nascimento do Passo, gênio das 70 e tantas mungangas do frevo, que me desculpe; os velhos e bons b-boys, idem ibidem; os mestres dos baques solto e virado que me perdoem; Elvis, pomba-gira da pele branca, negocie; Fred Astaire, nego, não se revire no desenho pontilhado dos seus respeitáveis sete palmos; funkadelics forever, Chicago e Belém com as suas aparelhagens, samba, samba, samba, candomblé, os deuses que dançam, a todos o meu respeito e o sangue sem mertiolate dos meus joelhos…
Mas, na boa, o maior passo da humanidade se deu quando o primeiro negro pisou na lua: salve Michael Jackson, um, dois, espírito a três passos do chão, me encoxe, wanna take you on a moonwalk…
Ele vai pagar a vida inteira por ter sido maior que Armstrong e sua gangue, por ter fincado a bandeira da sua tara acima de todos os musicais de todas as tendências… Wanna take you on a magic carpet ride…
Salve os bois bumbás, os tchans, o samba duro, as lias de itamaracás, a ciência sob o calçamento do Mangue, a fulerage, a macumba da japonega, mas, peraí, ninguém levitou tão bonito quanto esse rapaz!
Forever my love, you’ll be mine. A lua, esse conhaque, o passo da humanidade, comovido com alma perra e carapuça de jabá-pop à vera.
Eu sei, ele perdeu o nariz original como o carinha do barbeiro de Gogol, mas pouco importa, não o diminui como o primeiro negro a pisar a areia movediça da lua.
A América nunca vai perdoar o seu primeiro negro mais leve que as folhas das folhas da relva, coitada d’América…
Ninguém, nem o mais mungangueiro dos artistas populares, nem os comedores de vidros, ninguém sob a lona do nosso Soleil, ninguém no farol, ninguém no sinal…
Nunca houve um passo tão lindo, ajoelhe e reze sr. Balé clássico, bata palmas, morra
de inveja, gaste a arrogância das sapatilhas…
Nunca houve um passo como moonwalk, nunca houve mais linda invasão à lua dos doidos varridos, Michael Jackson nunca caiu nesse agá minúsculo, pra enganar moça, ora direis, de pisar nos astros distraído.
Ele andou palmos acima, seu mar vermelho, tábuas sagradas, Moisés da hora, por entre as nuvens do auto-engano, por entre os dez mandamentos, a terra é azul….
e ele, marcha à ré, se move.
Estátua.
Stop.
Parou ele ou parou o pop?
Michael 1959-2009
E dancem bem muito no final de semana...
domingo, 14 de junho de 2009
Dado domênico
um pensou assim: vou escrever
outro disse: - para quê?
um achou que valia a pena
outro falou que a pena era a vida
um citou Bandeira:
poesia, minha vida verdadeira
outro lembrou Rimbaud:
por delicadeza perdi minha vida
e nessa luta assaz vã
nesse delicado embate
derrota não há
o poema é o empate
(poema retirado do livro Olho nu de Dado Amaral)
domingo, 31 de maio de 2009
Exercício para a solidão - notas domênicas
"Lemos, penso eu, para sanar a solidão, embora, na prática, quanto melhor lemos, mais solitários ficamos."
(Harold Bloom em Onde encontrar a sabedoria?)
terça-feira, 26 de maio de 2009
Manual do escritor
Nunca entendi essa coisa de compulsão a escrita. Sempre me soou como achaque literário e presunçoso - perdoem-me pela redundância. E mesmo sendo até um pouco jeitoso com as palavras, não concebo a obrigação de escrever. Desidealizei continuamente o escritor que poderia ter sido, no que sou grato a mim mesmo. Poucas coisas que li me valeram mais que dois vasilhames de cervejas. Pouquíssimas mais do que um dedo de prosa com o amigo marinheiro.
Ademais, pra que tantos livros no mercado editorial, se na vida terminamos por carregar no juízo e miocárdio somente duas obras entre todas que lemos?! Haja retórica e papel. Eu é que não contribuirei com a derrubada de árvores!, apesar de concordar com um outro capanga, para quem a escrita de hoje só vale a pena como ressaca moral... (o que leva esta mesma alma a concluir que o melhor da literatura continua sendo encontrada apenas nos versos de putaria e da fuleiragem anônima)
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Imaginação e realidade
Por estes dias me caiu nas mãos A Literatura em Perigo (capa ao lado), o mais recente livro do historiador e ensaísta búlgaro (radicado na França desde 1963) Tzvetan Todorov. O trabalho é bem curtinho - menos de 100 páginas - e trata da relação do autor com a literatura e do ensino desta no mundo contemporâneo. Ao começar a lê-lo, logo na página 23, encontrei a seguinte passagem:
“Hoje, se me pergunto por que amo a literatura, a resposta que me vem espontaneamente à cabeça é: porque ela me ajuda a viver. Não é mais o caso de pedir a ela, como ocorreria na adolescência, que me preservasse das feridas que eu poderia sofrer nos encontros com pessoas reais; em lugar de excluir as experiências vividas, ela me faz descobrir mundos que se colocam em continuidade com essas experiências e me permite melhor compreendê-las. Não creio ser o único a vê-la assim. Mais densa e mais eloqüente que a vida cotidiana, mas não radicalmente diferente, a literatura amplia o nosso universo, incita-nos a imaginar outras maneiras de concebê-lo e organizá-lo. Somos todos feitos do que os outros seres humanos nos dão: primeiro nossos pais, depois aqueles que nos cercam; a literatura abre ao infinito essa possibilidade de interação com os outros e, por isso, nos enriquece infinitamente. Ela nos proporciona sensações insubstituíveis que fazem o mundo real se tornar mais pleno de sentido e mais belo. Longe de ser um simples entretenimento, uma distração reservada às pessoas educadas, ela permite que cada um responda melhor à sua vocação de ser humano.”
Sem dúvida, um belo trecho que, no entanto, não o isenta de algumas reflexões:
1 - a descoberta de mundos, o alargamento de nosso universo (e o estímulo a imaginação de concebê-lo e organizá-lo), não seriam funções de toda e qualquer realização - palavra mágica - cultural? Tenho certeza que a "velha senhora" não se encontra só no desempenho deste papel...
2 - Sei que a pergunta que acabo de fazer acima é bastante óbvia. Mas ela tem uma razão de existir mediante a afirmação de que a arte da escrita seria "mais densa e mais eloqüente que a vida cotidiana". Vivesse o autor cá por estas bandas, onde o dia a dia é constantemente preenchido por narrativas recheadas de mães que doam seus filhos, tarados que bolinam mulheres à luz do dia, balas gratuitamente direcionadas a pedestres vestidos com camisas de seus clubes de futebol, talvez sentisse na pele (e no juízo) a densidade e a eloquência da barbárie em seu funcionamento comum. A literatura para conquistar esse lugar que - incrível! - frequentemente se arroga, ela tem que rebolar, rebolar, rebolar...
domingo, 18 de janeiro de 2009
Aos poetas - notas dominicais
"Que a linguagem poética seja, como com justeza quer o grande Euríalo Canabrava, uma espécie de idioma próprio do poeta, nada de mais desejável. Mas, não esquecendo os poetas também, como lhes adverte T. S. Eliot, de quem devem saber comunicar aos outros a sua poesia e não sobrecarregá-la de tal obscuridade que se torne incompreensível. A dificuldade da questão da linguagem poética reside precisamente nisso: ser linguagem do poeta e ser comunicável."
(Jorge de Lima, Obra Completa)
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
No mesmo barco - mensagem de ano novo do blog

"Era um peixe pequeno, um peixinho, com o comprimento de meio dedo, com escamas prateadas e nadadeiras delicadas, branquiadas, espelhadas e trêmulas. Um olho de peixe redondo e arregalado ao máximo mirou os dois por um instante como se sugerisse a Maia e Mati que todos nós, todos os seres vivos sobre este planeta, pessoas e animais, aves, répteis, larvas e peixes, na realidade todos nós estamos bem próximos uns dos outros, apesar de todas as muitas diferenças entre nós: pois quase todos nós temos olhos para ver formas, movimentos e cores, e quase todos nós ouvimos vozes e ecos, ou pelo menos sentimos a passagem da luz e da escuridão através da nossa pele. E todos nós captamos e classificamos, sem parar, cheiros, gostos e sensações.
Isso e mais: todos nós sem exceção nos assustamos às vezes e até ficamos apavorados, e às vezes todos ficamos cansados, ou com fome, e cada um de nós gosta de certas coisas e detesta outras, que nos inspiram temor ou aversão. Além disso, todos nós sem exceção somos sensíveis ao extremo. E todos nós, pessoas répteis insetos e peixes, todos nós dormimos e acordamos e de novo dormimos e acordamos, todos nós nos empenhamos muito para que fique tudo bem para nós, não muito quente nem frio, todos nós sem exceção tentamos a maior parte do tempo nos preservar e nos guardar de tudo o que corta, morde e fura. Pois cada um de nós pode ser amassado com facilidade. E todos nós, pássaro e minhoca, gato menino e lobo, todos nós nos esforçamos a maior parte do tempo em tomar o máximo de cuidado possível contra a dor e o perigo, e apesar disso nós nos arriscamos muito sempre que saímos para correr atrás de comida, atrás de uma brincadeira e também atrás de aventuras emocionantes.
E assim, disse Maia depois de refletir sobre esse pensamento, e assim no fundo é possível dizer que todos nós sem exceção estamos no mesmo barco: não apenas todas as crianças, não apenas toda a aldeia, não apenas todas as pessoas, mas todos os seres vivos. Todos nós. E ainda não sei bem dizer se plantas são um pouco nossos parentes distantes.
Logo, disse Mati, quem debocha dos outros passageiros na realidade é um bobo que está no mesmo barco. E não existe aqui nenhum outro barco."
Amós Oz em De repente, nas profundezas do bosque - trecho que acabei de ler nesse instantinho... Um ótimo ano novo para todos!
domingo, 21 de dezembro de 2008
Aditivado - notas domênicas
"Urubu come carniça
E voa."
Miró, poeta do Recife (epígrafe roubada de Rasif, novo livro de contos de Marcelino Freire)
domingo, 7 de dezembro de 2008
Questão de propaganda - notas dominicais
"É doloroso verificar que encontramos erros semelhantes em duas escolas opostas: a escola burguesa e a escola socialista. Moralizemos! Moralizemos! exclamam ambas com uma febre de missionários. Naturalmente, uma prega a moral burguesa e a outra a moral socialista. Desde então a arte não é mais do que uma questão de propaganda."
(Charles Baudelaire em Les drames et les romans honnêtes)
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
E de que lado você samba?
Em minha atual odisséia livresca, hoje me deparei com esta que é das maiores questões do pensamento ocidental, senão a maior. Um verdadeiro Fla x Flu do juízo, que revela interpretações de vidas, que divide nossos combalidos espíritos nos binômios idealista/materialista, direita/esquerda, arte/cultura e tantos outros pares existenciais/conceituais. Tava lá no velho livro Teoria da Literatura do crítico Rene Wellek, na forma do problema estético:
"Em certo sentido, poder-se-ia dizer que o problema, no campo da estética, se situa entre a concepção que afirma a existência de uma 'experiência estética' isolada, irredutível (reino autônomo da arte), e a concepção das artes como instrumentos da ciência e da sociedade, que nega a existência de um tertium quid como 'valor estético'."
Para os simpatizantes da primeira concepção, da arte pela arte, trago um ótimo trecho que encontrei por esses dias do poeta francês Théophile Gautier (influenciou um tal de Baudelaire), que no seu romance Mademoiselle de Maupin escreveu:
"Não há verdadeiramente belo senão o que não pode servir para nada; tudo o que é útil é feio, porque é a expressão de qualquer necessidade, e as necessidades do homem são ignóbeis. - O local mais útil de uma casa, são as latrinas."
Aos devotos da segunda, ofereço a fina ironia de Terry Eagleton, botando a literatura na berlinda no seu Teoria da Literatura: uma introdução:
"A literatura foi, sob vários aspectos, um candidato bem adequado a essa empresa ideológica (a de substituir a religião na passagem da sociedade feudal para a moderna-capitalista). Como atividade liberal, 'humanizadora', podia proporcionar um antídoto poderoso ao excesso religioso e ao extremismo ideológico. Como a literatura, tal como a conhecemos, trata de valores humanos universais e não de trivialidades históricas como as guerras civis, a opressão das mulheres ou a exploração das classes camponesas inglesas, poderia servir para colocar numa perspectiva cósmica as pequenas exigências dos trabalhadores por condições decentes de vida ou por um maior controle de suas próprias vidas; com alguma sorte, poderia até mesmo levá-los a esquecer tais questões, numa contemplação elevada das verdades e das belezas eternas."
E então, de que lado você samba?
domingo, 30 de novembro de 2008
Calculadora - notas dominicais
"E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infância, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?"
Almeida Garrett (1799-1854), poeta e romancista português, em Viagens na Minha Terra.


