
Por Wagner Sarmento
Esta semana, Pernambuco comemora mais um aniversário da Revolução Constitucionalista de 1817. Por 74 dias, o Estado se desprendeu de Portugal e viveu sob governo provisório, ladeado por uma constituição própria. O sopro emancipacionista, duramente reprimido pela corte lusitana, foi o nascedouro de um sentimento de “pernambucanidade” que ainda hoje retumba.
Ressoa dentro de campo. Pernambuco, na Libertadores, é vermelho e preto. É orgulho, força e fé. É história, tradição e resistência. É luta, entrega e suor. É Sport.
No aniversário da revolução, Pernambuco ganhou de presente a vitória rubro-negra. O exército do Leão fez valer o mando de campo e não deu chance à LDU de Quito. Na Ilha do Retiro, o Sport dita as regras. E, na constituição rubro-negra, visitante não tem vez. Nem mesmo o atual campeão do torneio foi páreo para os rubro-negros. O placar de 2 a 0 coloca o Leão como líder isolado do grupo, com seis pontos em dois jogos e 100% de aproveitamento.
Logo no começo do duelo, o volante Daniel Paulista, de voleio, abriu o placar. O adversário tentou reagir. Mas parou na implacável marcação pernambucana. O volante Hamílton fez o craque Manso fazer jus ao nome. Manso, quase inofensivo, o argentino pouco criou e o time equatoriano padeceu. Os maiores sustos eram as bolas paradas.
A Ilha não estava lotada, mas tremeu. E fez tremer. Encorajados por 20 mil bravos rubro-negros, os guerreiros leoninos foram avante. Paulo Baier foi parado com falta dentro da área pelo goleiro Cevallos. O próprio camisa 10 cobrou o pênalti e, aos 30 minutos da segunda etapa, decretou o triunfo brasileiro.
O que faltou ao Palmeiras sobra ao Sport: maturidade, consistência defensiva. O que sempre falta ao São Paulo de Muricy Ramalho em começo de temporada sobra ao Leão: identidade, padrão de jogo. E não falta alma ao Sport.
Pernambuco das revoltas libertárias, da Guerra dos Mascates, da Revolução dos Padres, da Confederação do Equador, de Frei Caneca. Pernambuco do Sport. Na batalha das Américas, o Leão é mais que um time. É uma pátria ávida por revolução.
quarta-feira, 4 de março de 2009
1817 -2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Das tragédias ludopédicas
Ilustres visitantes, na semana passada fui convidado pelo ótimo blog futebolístico Impedimento (vale demais um confere!) para escrever sobre as 10 maiores humilhações sofridas pelo meu glorioso Sport Club do Recife. O resultado deu nisso aqui. Dêem uma chegadinha...
terça-feira, 29 de julho de 2008
Strange Holidays
Província de Piratininga, final de tarde. Pode parecer absurdo, mas me dou férias em São Paulo. Fériazinhas também, uma semana. Só pra tomar ar pro novo semestre. Pois o primeiro já se foi, cheio de frustrações e um tantinho de alegria que ninguém é tão idiota assim (e salve, salve, meu rubro-negro da ilha do retiro, campeoníssimo da Copa do Brasil!). Que vá com Deus, é o caso de dizer. Dias melhores sempre virão, dou o loop no mantra auto-ajuda. E vamo simbora que a vida só termina quando acaba. Merça*, j'arrive!!!
ps.: Daqui sigo pra conhecer Paraty, a nova cidade mais culta do planeta. Esquema inteiramente off-Flip. Nem livro trouxe, gracias... Escrevo quando puder. Saudações, Dr. E.
* E justamente hoje, a Mercearia São Pedro, reduto das aima na Vila Madalena, completa 40 anos de existência. Pra comemorar a ocasião, será reeditada, conto a conto, a inimitável e inigualável "Antologia Bêbada -fábulas da Mercearia". A função já começou desde as 15:00hs. Tô umas cinco cervas atrasado e indo agora agora!
terça-feira, 10 de junho de 2008
Concurso, Antônio Cândido e o Sport Club do Recife
Há 2 meses venho estudando para prestar concurso numa universidade. Estudando não, tentando estudar, pois meu time não deixa. Claro que refiro-me ao glorioso Sport Club do Recife que amanhã joga a finalíssima da Copa do Brasil, sua última partida na competição. Gracias, é o caso de escrever. Isto porque já não aguento mais a movimentação futebolística como método para o refúgio da labuta - tenho com o esporte bretão minha única relação metafísica, uma religião.
Foram dias e dias frequentando sites, programas de tv, fóruns esportivos de toda sorte (inclusive as velhas resenhas radiofônicas do Recife cotidianamente pela web) na ansiedade de colher a mais recente informação sobre o escrete rubro-negro. Pra piorar o meu envolvimento, na última semana ainda houve o caso do estádio dos Aflitos que terminou por deflagrar uma verdadeira guerra regional mediante as arbitrariedades da justiça esportiva brasileira. Era o que faltava pra juntar a fome com a vontade de comer.
Pois bem, hoje no primeiro turno de trabalho, ao ler Iniciação à Literatura Brasileira*, obra do crítico Antônio Cândido, encontrei dois trechos que transcrevo abaixo na intenção de: 1) aliviar minha culpa, ao unir obrigação e dispersão; 2) convocar a torcida de todos pelo Leão da Ilha do Retiro no jogo desta quarta. Ao autor então, que na passagem que trata d'Os Sertões escreve:
"Graças à conjunção de um acontecimento dramático, da férvida imaginação de um observador privilegiado e da força de um estilo enfático, a opinião pública sentiu que a sociedade brasileira repousava sobre a contradição entre o progresso material das áreas urbanizadas e o atraso que marginalizava as populações isoladas do interior. Faltou a Euclides da Cunha apenas salientar a miséria que acompanha esta situação de abandono, para mostrar que se tratava de algo quase tão grave quanto a escravidão, que tinha sido abolida pouco antes. Ele baseou o seu livro no esquema determinista em voga naquele tempo, indicando como o meio físico e a raça condicionavam os grupos sociais, e como a diferença de ritmos da evolução gerava desarmonias catastróficas. A sua escrita transforma a pretendida objetividade científica em testemunho indignado e lúcido, resultando em denúncia do exército e da política dominante."
E duas páginas depois:
"A sociedade brasileira é assustadoramente desigual quanto aos níveis econômicos e os graus do progresso técnico. Daí produzir tipos extremos, que por sua vez produzem maneiras muito discrepantes dos grupos sociais se verem e se avaliarem. Baseado na descrição de áreas rurais pouco desenvolvidas, o regionalismo teve aspectos positivos, como destacar as culturas locais, com seus costumes e linguagem. Mas teve aspectos negativos, quando viu no homem do campo um modelo meio caricatural que o homem da cidade se felicitava por haver superado, e lhe aparecia agora como algo exótico, servindo para provar a sua própria superioridade e lhe dar um bem-estar feito de complacência."
Amanhã, rumo a um instante, ao menos, de igualdade e glória...
*O melhor: quem quiser baixar este livro, um ótimo resumo da história da literatura brasileira, liberadíssimo na rede. É só clicar aqui, vale demais!!
terça-feira, 26 de junho de 2007
Balanço semestral
É incrível, mas o primeiro semestre de 2007 já se foi e parece que o ano começou ontem. E começou com mais uma rodada no poder para o mesmo governo federal que, novamente, conta com minha cansada defesa frente aos deleites daqueles que não se entristecem com os desvãos da história - mas, confeso que meu cansaço aumenta a cada dia, tal como a inércia e as confusões da administração petista.
Entre os fatos e acontecimentos importantes ocorridos nestes 6 meses, me vem a cabeça no momento o caso bárbaro do menino João Hélio Fernandes aqui no Rio, os problemas com os operadores de vôos, a morte de Octavio Frias e agora o espancamento da doméstica Sirley Dias por jovens classe média na Barra da Tijuca sob alegação de que era prostituta(!) - se outras coisas relevantes me escapam, peço perdão pelo torto juízo. Deixando de lado a política e veredas maiores, na vida miúda o período foi de realizações, frustrações, dores, alegrias e de tantos outros pares antinômicos aos quais a existência teve direito (ou foi condenada). A falta de um canto com meus livros desencaixotados foi a agonia maior em meio a outras tristezas e felicidades substanciais. Eis um apanhado delas: defesa de tese, mesa de seminário (remunerado pela primeira vez!), carnaval no Rio, bolsa para orientar monografias num programa de educação à distância (a ôia!), as aulas na ong, Sport bi-campeão pernambucano, derrotas em São Januário e no Maracanã, aniversário no Cardosão, texto em revista, laptop, saudades de Recife, viagens (São Paulo, Araras, Ouro Preto), a entrega do velho apartamento, a falta do novo, a não resolução da documentação do carro vendido, Youtube, os shows do Lee Perry, da Nação Zumbi e do mundo livre, a falta dos exemplares definitivos da tese, Cartola - música para os olhos e Baixio das bestas, o artigo para um livro que não consigo fazer andar, São João na feira de São Cristóvão e, finalmente, o blog de onde sai esta prosa capenga. Ah!, e antes que ela e o semestre acabem, trago um último fato que foi a manchete de jornal com a qual me acordei hoje pela manhã:
Juiz nega a Cicarelli pedido de idenização do Youtube.
Com esta boa nova começo meu segundo semestre. Tá com pinta que será melhor...
