"O sofrimento e a dor são sempre obrigatórios para uma consciência ampla e um coração profundo. Os homens verdadeiramente grandes, a meu ver, devem experimentar uma grande tristeza no mundo."
Do atormentado Raskólnikov, personagem principal de Crime e Castigo, romance de Fiódor Dostoiévski.
domingo, 20 de abril de 2008
Só para os grandes - notas dominicais
domingo, 13 de abril de 2008
Sanidade inexistente - notas dominicais
"...todos nós, e com bastante frequência, agimos quase como loucos, apenas com a pequena diferença de que os 'doentes' são um pouco mais loucos do que nós, porque neste caso é necessário distinguir o limite. Já o indivíduo harmonioso, e isso é verdade, quase não existe; em dezenas, e talvez até em muitas centenas encontremos um, e ainda por cima em espécimes bastante fracas..."
O médico Zóssimov, personagem de Crime e Castigo, romance de Fiódor Dostoiévski.
domingo, 6 de abril de 2008
O segredo da beleza - notas dominicais
"Apesar dos quarenta e três anos de Pulkhéria Alieksándrovna, seu rosto ainda conservava traços da antiga beleza e, ademais, ela aparentava uma idade bem mais jovem, o que acontece quase sempre com as mulheres que preservam até a velhice a lucidez do espírito, o frescor das impressões e o ardor honesto e puro do coração. Digamos, entre parênteses, que conservar tudo isso é o único meio de não perder a beleza nem na velhice."
Trecho de Crime e Castigo, romance de Fiódor Dostoiévski.
domingo, 30 de março de 2008
Minto, logo existo - notas dominicais
"A mentira é o único privilégio humano perante todos os organismos. Quem mente chega à verdade! Minto, por isso sou um ser humano. Nunca se chegou a nenhuma verdade sem antes haver mentido de antemão quatorze, e talvez até cento e quatorze vezes, e isso é uma espécie de honra; mas nós não somos capazes nem de mentir com inteligência! Mente pra mim, mas mente a teu modo, e então te dou um beijo. Mentir a seu modo é quase melhor do que falar a verdade à moda alheia; no primeiro caso és um ser humano, no segundo, não passas de um pássaro! A verdade não foge e a vida a gente pode segurar com pregos; exemplos houve. E hoje, o que nós fazemos? Todos nós, todos sem exceção, no que se refere à ciência, ao desenvolvimento, ao pensamento, aos inventos, aos ideais, aos desejos, ao liberalismo, à razão, à experiência e tudo, tudo, tudo, tudo, ainda estamos na primeira classe preparatória do colégio! Nós nos contentamos em viver da inteligência alheia - e nos impregnamos! Não é verdade? Não é verdade o que estou falando?"
Razumíkhin, personagem de Crime e Castigo, romance de Fiódor Dostoiévski.
domingo, 21 de outubro de 2007
Vida: modos de não usar - notas dominicais XXIV
"Um indício praticamente seguro de descaminho é o uso da palavra 'espiritualidade'. Também é preciso fugir dela a toda pressa, pois não quer dizer absolutamente nada. Se tivesse um sentido, essa palavra quereria dizer a vida do espírito. Na imaginação e em liberdade, fora dos limites conhecidos. Neste sentido Shakespeare e Dostoievski a praticaram no mais alto grau, assim como Einstein, Kant e muitos outros. Eles viveram pelo e para o espírito. A religião, que se esconde com frequência sob a palavra 'espiritualidade', que de alguma maneira aponderou-se dela, dando a entender, como no passado, que o espírito existe fora do corpo, é, ao contrário, a negação de toda vida independente do espírito, que ela encerra o mais cedo possível atrás das barras de um dogma.
Fujamos dos dogmas, logicamente. Desistamos de encontrar um sentido para nossa vida: ela não tem. Nós nos acostumamos facilmente e não ficamos mal, ao contrário. Podemos substituir a busca do sentido, que é vã, por um esforço pela vida mesma. Substituir o 'por que viver' pelo 'como viver'. E neste caso, sim, há muito a ser dito, muito a ser feito...
(Jean-Claude Carrière em Fragilidade)
