quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Aulas de cidadania do professor Risério*

Entre as leituras de verão que faço, uma vem chamando a minha atenção de forma especial. Trata-se do livro A utopia brasileira e os movimentos negros (capa ao lado) do poeta e ensaísta baiano Antônio Risério - uma indicação do professor de Letras da UFPE Anco Márcio que colhi por acaso no programa de televisão Opinião Pernambuco (TVU). O trabalho é uma coletânea de artigos sobre a questão racial no Brasil, tema pra lá de espinhoso, mas que é muitíssimo bem conduzido pela boa prosa do autor. Nos textos, Risério ataca a importação da política racial norte-americana para o nosso país - encampada por alguns intelectuais e lideranças do movimento negro - e exalta a nossa mestiçagem, respeitando defensores clássicos deste conceito como Gilberto Freyre, mas numa posição muito mais cosmopolita, distante da "doce" cristalização social açucarada do mestre de Apipucos. Além de mexer nestes "vespeiros", ele constrói ótimos panoramas de aspectos culturais brasileiros, como, por exemplo, uma interessante descrição da trajetória do candomblé no patropi, desde os primeiros grandes terreiros de Salvador até a sua época áurea quando foi adotado pela elite artística-intelectual brasileira (perdão pelo pleonasmo!) nos anos 1960-70, relato que se encontra no artigo "Presença de Exu", texto que contém esta bela passagem sobre a cultura religiosa dos povos iorubás:

"...a formação religiosa iorubana nada tem de 'salavacionista'. Africanos antigos nunca viveram ad majorem Dei gloriam. E aqui chegamos a uma tríade que marca todo o pensamento religioso clássico da África: antropocemtrismo, geocentrismo, pragmatismo. [John]Mbiti fala que, para compreendermos as religiões africanas, é preciso compreender a ontologia africana - uma ontologia 'extremamente antropocêntrica', onde o ser humano está numa posição-chave em relação a tudo o mais. Dominique Zahan não é menos categórica: o ser humano é o elemento central de um sistema ao qual ele mesmo impõe uma orientação centrípeta. A idéia de uma finalidade exterior à humanidade é estranha a tal pensamento. 'O homem não foi feito para Deus ou para o universo; ele existe para ele mesmo e carrega dentro de si mesmo a justificativa de sua existência.' Na verdade, as coisas parecem ser ainda mais extremas. 'Ibiti enià kò si, kò si imalè', ensina um ditado iorubano, registrado por Idowu: 'onde não há ser humano, não há divindade'. Os deuses são uma criação humana. Karin Barber abordou diretamente a questão: 'O conceito de que os deuses são criados pelos homens e não os homens pelos deuses é um truísmo sociológico. Pertence obviamente a uma tradição distanciada e crítica, incompatível com a fé naqueles deuses. No entanto, a religião tradicional iorubá apresenta uma concepção muito semelhante que, longe de indicar ceticismo ou declínio de crença, parece constituir um impulso vigoroso em direção à devoção'. Os iorubanos criam um segredo, investem uma entidade de poder, alimentam tal poder e glorificam tal entidade, beneficiando-se então da grandeza que forjaram. Passam a depender de um poder que depende deles. Uma relação de reciprocidade, portanto. Enfim, quando o que está em foco é a África, podemos dizer que, no sistema solar da religião, o ser humano é o sol."

Os artigos de A utopia brasileira e os movimentos negros são aulas de cidadania fundamentais para que nós, mestiços brasileiros (e somos todos!), tenhamos mais consciência do nosso lugar no caldeirão cultural nacional...


Infos:
UTOPIA BRASILEIRA E OS MOVIMENTOS NEGROS, A (2007)
RISERIO, ANTONIO
EDITORA 34
Preço = R$ 54,00

Ou então de graça aqui!

*Este post é dedicado a fotógrafa Dani Dacorso - que deve ler o livro!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Muito antes dos tubarões - clip dominical


Trecho do filme Veneza Americana de Hugo Falangola e J. Cambiere, de 1926. O filme fez parte do importante movimento do cinema brasileiro, o Ciclo do Recife. São imagens da praia de Boa Viagem sem os prédios e avenidas.
A música criada em 2007, foi composta pelo músico Alex Mono e apresentada ao vivo na Cinemateca Brasileira em São Paulo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Das tragédias ludopédicas

Ilustres visitantes, na semana passada fui convidado pelo ótimo blog futebolístico Impedimento (vale demais um confere!) para escrever sobre as 10 maiores humilhações sofridas pelo meu glorioso Sport Club do Recife. O resultado deu nisso aqui. Dêem uma chegadinha...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Humildade - notas domênicas

"O resultado geral a que cheguei e que, uma vez obtido, serviu-me de guia para meus estudos, pode formular-se, resumidamente, assim: na produção social da própria existência, os homens entram em relações determinadas, necessárias, independentes de sua vontade; estas relações de produção correspondem a um grau determinado de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. A totalidade dessas relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem formas sociais determinadas de consciência. O modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, política e intelectual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; ao contrário, é o seu ser social que determina a sua consciência."
(Karl Marx no prefácio da Contribuição à Crítica da Economia Política)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Praia, cinema e futebol (notas de meio de semana)

1) Aqueles que se encontram hoje no Recife terão uma ótima oportunidade para conhecer os filmes do cineasta Lírio Ferreira. Tudo no cinema do Teatro do Parque. Eis o serviço:
- 14hs os curta-metragens O crime da imagem (BRA, 1992) e That’s a lero lero (BRA, 1994), além do longa Baile perfumado (BRA, 1997);
- 16:20hs Árido movie (BRA, longa, 2004);
- 18:30hs Cartola: música para os olhos (BRA, longa, 2006).
Após o último filme haverá um debate com a presença do próprio Lírio, mediada pelo jornalista e cineasta Amin Stepple. E o precinho: R$ 0,00. Nem nas Casas José Araújo...

2) Notinha que saiu hoje na coluna "Dia a Dia" do Jornal do Commércio da capital pernambucana:
Eddie para todos
A 1ª tiragem do Carnaval no inferno, novo CD da Eddie, esgotou-se em tempo recorde: foram 2,5 mil CDs vendidos em 2 semanas. Só a Cultura vendeu em média 25 discos/dia e acabou com seu estoque. Outros 4,2 mil CDs virtuais foram baixados no www.sombarato.org. A 2ª tiragem chega antes do Carnaval. Será disputada aos tapas.

3) Se o responsável desta bodega eletrônica sumir, não se inquietem. Ele não morreu. Apenas anda as voltas com os serviços... (escrevo a apresentação de um livro e um texto para um blog sobre futebol. Divulgo aqui quando tiverem prontos)

domingo, 25 de janeiro de 2009

Aos criadores - notas dominicais

“Penso que antes da ação não se deve nunca, em nenhum caso, temer uma anexação por parte do poder e de sua cultura. É preciso comportar-se como se essa perigosa eventualidade não existisse... Mas penso também que depois, é preciso saber perceber até que ponto se foi utilizado, eventualmente, pelo poder. E então, se nossa sinceridade ou nossa necessidade foram servilizadas ou manipuladas, penso que é absolutamente preciso ter a coragem de abjurar.”
(Pier Paolo Pasolini)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Canoa nada furada (convite)

cliquem em cima da imagem pra ler melhor o convite...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009


Preparem-se! Pois “todas as cidades já estão em chamas”, incendiadas pelo Carnaval no inferno. Novo trabalho da Eddie, o disco (CD/SMD) é uma síntese de tudo que a banda olindense viveu nestes quase 20 anos de existência - “Longa vida ao groove!”, o grito do segundo manifesto mangue, publicado no fatídico ano de 1997, continua levado a sério... Após três CDs gravados com praticamente a mesma formação, no Carnaval no inferno a Eddie encaixa de forma ainda mais precisa seu balanço particularíssimo, confirmando sua sonoridade própria e liberdade autoral. O disco é um verdadeiro acerto de marcha da banda, que “requinta” com toda experiência sua musicalidade de acabamento “garageiro”, inspirada pelo entusiasmo das festas populares de rua.

Desta vez, as composições revelam uma vibe menos extrovertida da Eddie, como mostram as faixas “Quase não sobra” (uma parceria de Fábio Trummer com Junio Barreto), “Gafieira no avenida” (música de Jorge du Peixe e Lúcio Maia que integra a trilha sonora do filme Amarelo Manga) e “Nada de novo” (uma homenagem de Fábio Trummer a Rafa, flautista da banda Mombojó, falecido em 2007). No entanto, suas conhecidas levadas festeiras também marcam presença em frevos infernais como “Bairro Novo/Casa Caiada” (Fábio Trummer), por exemplo, na cadência sambista da pérola “Me diga o que não foi legal” (Fábio Trummer) e na gafieira “O baile (Betinha)” (Erasto Vasconcelos), um clássico dos salões das noites pernambucanas.

Carnaval no inferno foi inteiramente gravado com recursos próprios, nas cidades de São Paulo e Recife (nos estúdios Novo Mundo e YB – SP; Muzak e Batuka – PE). É o registro de uma comunhão com parceiros-produtores de toda vida: Buguinha (produtor musical com quem a Eddie gravou algumas demos no inicio da década de 90), Berna Vieira (outro produtor que já tocou bateria na banda) e Karina Buhr (cantora e compositora, também ex-integrante e que faz voz e backing neste trabalho). Contou com a participação dos músicos Curumim (bateria), João do Cello (violoncelo), Nilsinho (trombone/Spok Frevo Orquestra), Mestre Nico (trombone/Junio Barreto), Da Lua (percussão/Nação Zumbi) e do percussionista e compositor Erasto Vasconcelos (voz), velho companheiro de outros carnavais.

Com este novo trabalho, a Eddie segue firme a sua estrada, criando grooves, reinventando ritmos, fundindo universos e entortando as convenções na música urbana brasileira. Como diriam seus conterrâneos, na mais fina expressão roots, Original Olinda Style: totalmente excelente!!!

Dr. E.
(release)

Para baixar:
No 4Shared ou no Torrent, Som Barato.

Agenda da banda em janeiro:
21 jan 2009 12:00 Uk Pub Recife, Pernambuco
24 jan 2009 10:00 Varadouro - Olinda, Pernambuco
28 jan 2009 12:00 Uk Pub Recife, Pernambuco

Sônicas de verão

Minha estadia no Recife chegou aos 40 dias. Pois bem, nesse tempo, nos passeios entre Olinda e Brasília Teimosa, eis a trilha sonora que escuto nas ruas:
1 -  Mistura do Calypso - Pensou que eu ia chorar por você

2 - o disco-gravação ao vivo de João do Morro, nova cria de Casa Amarela
3 - e, com a classe média golden plus, Carnaval no Inferno, novo e ótimo disco da banda Eddie (para baixá-lo clique aqui ou aculá - em formato Torrent -, no digníssimo Som Barato). Passo o release da pérola que mesmo fiz no post da sequência...

Abram as oiças...