quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Faça como o Rei do Deboche!



Faça como o Luiz Caldas, participe da reformulação da Lei do Direito Autoral!
(Para isso, clique aqui!)

domingo, 1 de agosto de 2010

"É isso o que você deve fazer" - notas domênicas

"É isso o que você deve fazer:
amar a terra e o sol e
os animais, desdenhar as riquezas, dar
esmolas a todos que pedirem, defender
os dementes e os loucos, dedicar sua renda
e trabalho aos outros, odiar os tiranos,
não discutir sobre Deus, ter paciência
e indulgência com as pessoas, não tirar
o chapéu para o que é conhecido ou o
que é desconhecido nem a nenhum homem
ou grupo de homens, acompanhar
livremente as poderosas pessoas analfabetas
e os jovens e as mães de família,
ler estas folhas ao ar livre em todas as
estações de todos os anos de sua vida,
examinar de novo tudo que foi dito na
escola ou na igreja ou em qualquer livro,
rejeitar tudo que insulte sua própria
alma, e sua própria carne será um grande
poema e terá a fluência mais rica não
só na forma de palavras mas nas linhas
silenciosas de seus lábios e rosto e entre
os cílios de seus olhos e em toda junta
e todo movimento de seu corpo..."

Walt Whitman, trecho de "Folhas da relva"

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Debate sobre a reforma da Lei do Direito Autoral: Fortaleza/Recife



Passei os últimos dias articulando esses dois debates a serem realizados na próxima semana. Compareçam! (cliquem nas imagens que elas ampliam)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Prazo da consulta pública sobre direitos autorais foi prorrogado até 31 de agosto

Novo prazo da consulta pública sobre direitos autorais é 31 de agosto

A consulta pública do anteprojeto que moderniza a Lei de Direitos Autorais ficará aberta até o dia 31 de agosto. A prorrogação foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira, 27 julho (Seção 1, página 6). O prazo inicial de 45 dias terminaria em 28 de julho e foi estendido para ampliar a oportunidade de participação da sociedade. Desde 14 de junho, já foram apresentadas mais de 1,2 mil contribuições neste espaço. A expectativa é que esse número, pelo menos, dobre até a nova data final.

Para o ministro da Cultura, Juca Ferreira, o novo prazo vai permitir que a sociedade amplie sua participação. “Optamos pela consulta porque acreditamos que ela vai ajudar o governo a aperfeiçoar o texto. Vemos este instrumento como uma continuação de um processo democrático que se iniciou há quase oito anos e que tem envolvido todas as partes interessadas”, afirma.

Durante todo este período, o MinC tem promovido reuniões com muitos artistas, investidores e consumidores para ouvir suas queixas e sugestões. Em 2007, o processo de discussão da nova Lei teve início formalmente, com a criação do Fórum Nacional de Direito Autoral. Ao longo de dois anos foram realizadas mais de 80 reuniões, sete seminários nacionais e um internacional. Cerca de 10 mil pessoas participaram destes debates, que foram transmitidos pela internet. Além disso, o Ministério estudou a legislação de inúmeros países.

“A modernização que propomos, cria dispositivos que ajudarão o autor a ter maior controle sobre sua obra, como a separação dos contratos de edição e de cessão e a possibilidade de revisar ou encerrar acordos que o prejudiquem e tenham sido assinados por inexperiência”, exemplifica o ministro.

Ao final da consulta, o texto será reformulado com base nas propostas. Não há prazo para que o Executivo envie o projeto para o Congresso Nacional. Porém, a expectativa do Ministério é que, até o fim deste ano, o anteprojeto de lei seja apresentado ao Congresso Nacional.

Das 1,2 mil contribuições encaminhadas até as 17h do dia 26 de julho, a maior parte se dirige a três pontos: artigo 1º, que trata da finalidade da lei; ao artigo 41, sobre o tempo de proteção dos direitos patrimoniais dos autores; ao 46, a respeito das limitações aos direitos autorais. Todos os cidadãos (artistas, produtores, consumidores etc) podem enviar suas sugestões e acompanhar o debate assim que elas são publicadas na página.

A consulta pública sobre direitos autorais é a segunda experiência aberta e participativa, desenvolvida pela Coordenação de Cultura Digital do MinC, a primeira foi a do Marco Civil da Internet. Mais do que uma plataforma de interação com usuários na Internet, o conjunto de softwares que possibilita a participação é um ambiente de construção colaborativa realizado por meio de tecnologia livre.

(para dar sua contribuição clique aqui!)

domingo, 18 de julho de 2010

Torneiras abertas - notas domênicas

"Algum artista contemporâneo se assumiria como sendo de direita, neoliberal, pró-'mão invisível do mercado' etc? Duvido muito. Como é comum no Brasil, quer-se o melhor de dois mundos: a atitude de esquerda e a prática de direita, e os benefícios de ambas. Para o sistema, o que importa é que as torneiras continuem abertas."
(Luciano Trigo no livro A grande feira)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Consulta pública sobre direito autoral poderá ser prorrogada

O secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, José Luiz Herencia, anunciou na manhã de hoje (12) que a consulta pública sobre o anteprojeto de lei que moderniza a Lei de Direitos Autorais poderá ter seu prazo prorrogado por, pelo menos, mais 45 dias.
Enquanto não temos essa confirmação, aconselho a lida do artigo abaixo, escrito pelo antropólogo Hermano Vianna e que foi publicado no jornal O Globo na última sexta-feira.

O direito do autor
Artigo de HERMANO VIANNA
O Globo, Segundo Caderno, em 09/07/2010

Até 28 de julho, está em Consulta Pública a proposta de revisão da atual Lei de Direitos Autorais, lançada pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura. Todos podem participar. É só se cadastrar no site do MinC, fazer críticas, propor melhorias. Seria uma pena se pessoas ou instituições com opiniões divergentes não participassem do processo, alegando de antemão que tudo o que o MinC propõe é “dirigista”. A proposta governamental é explícita quanto a seus objetivos: “Incorporar um leque amplo e diversificado de sugestões com vistas a permitir o aprimoramento das políticas públicas e reduzir as possibilidades de elas incorrerem em erros.” A recente discussão pública sobre o Marco Civil da Internet foi exemplo de mudança clara da visão inicial a partir das críticas feitas por vários grupos e indivíduos.

Em editorial, a “Folha de S. Paulo” reconheceu: “O documento sofreu mudanças - e melhorou - ainda nesta etapa.” Conclusão: “O governo deve enviar o projeto de lei ao Congresso nas próximas semanas.

Haverá oportunidade para aperfeiçoamentos na Câmara e no Senado, mas o texto, em linhas gerais, é satisfatório.” O mesmo pode acontecer com a Lei dos Direitos Autorais, se a sociedade assim desejar. Nada ainda está definido. Tudo pode mudar.

É um sinal muito positivo que um debate complexo, polêmico e sofisticado como esse, central para os destinos da cultura contemporânea, possa estar acontecendo de forma tão aberta e avançada no Brasil, dando exemplo para outros países. Em artigo publicado há poucas semanas no “Observer”, John Naughton - professor da Open University britânica - afirma: “Nossas leis de copyright estão agora tão risivelmente fora de contato com a realidade que estão caindo em descrédito.

Elas precisam urgentemente serem reformadas para se tornarem relevantes para as circunstâncias digitais. O problema é que nenhum de nossos legisladores parece compreender isso, então isso não vai acontecer tão cedo.” Temos aqui oportunidade e legisladores para fazer isso acontecer em breve. Por que não aproveitar? Por que se preocupar com intrigas pequenas quando é possível fazer algo grande? Ou continuo esperando demais do Brasil? A reflexão sobre os Direitos Autorais é uma das aventuras mais interessantes do pensamento humano. Sua história, que se confunde com o desenvolvimento da própria noção de autor, não começou hoje, nem vai ter ponto final agora. Vale a pena voltar a seus primórdios, citando novamente o texto de 1813 do nada stalinista Thomas Jefferson, explicando a opção da lei americana por diferenciar propriedade intelectual de propriedade de objetos físicos: “Se a natureza fez alguma coisa menos suscetível que todas as outras de ser transformada em propriedade exclusiva, essa é a ação do poder de pensamento chamada ideia, a qual um indivíduo pode exclusivamente possuir apenas enquanto mantê-la para si mesmo; pois, no momento em que é divulgada, ela se força na possessão de todos, e quem a recebe não pode dela se desfazer. [...] Aquele que recebe de mim uma ideia recebe a instrução toda sem diminuir a minha; como aquele que acende a vela na minha recebe o fogo sem me escurecer.” Por isso ter um carro é diferente de ter um livro. Se alguém rouba meu carro, fico sem o carro.

Mas, se alguém me rouba um livro já lido, fico sem o objeto de papel, porém seu conteúdo continuará presente em minha memória, já misturado às minhas próprias ideias, gerando novas ideias impulsionadas pela leitura.

Um carro não cai em domínio público. O objeto livro também não: pode ser herdado por várias gerações. Mas o conteúdo do livro passa a ser propriedade coletiva depois de determinado tempo, podendo ser usado por todos, em nome do bem comum. A lei de copyright seria uma concessão que a sociedade dá para os criadores poderem continuar criando, tendo por um tempo o monopólio do uso comercial dos seus trabalhos.

Isso: por um tempo (na época de Jefferson, 14 anos).

Depois voltariam necessariamente para o uso coletivo. A ideia de direito de autor, mais euro peia, é um pouco distinta, mas gera questionamentos semelhantes. Victor Hugo , p o r exemplo, considerava a possibilidade de que o direito das obras artísticas pudesse passar para os herdeiros dos seus criadores uma “ideia caprichosa e bizarra de legisladores ignorantes”.

Ninguém precisa concordar com ele: suas palavras nos lembram que nunca existiu consenso neste debate, mesmo entre criadores que poderiam lucrar com isso.

Imagine o que Hugo e Jefferson pensariam da época pós-internet, quando meu fogo pode iluminar a vela de criadores de todo o mundo num piscar de olhos, quando o raro se tornou abundante através de cópias digitais baratas e perfeitas, quando o sampler já é há décadas motor da criatividade musical.

Como diz John Naughton: para acabar com esses “problemas” é preciso desligar a internet.

Ou como diz o editorial da “Folha”: “A insegurança jurídica [...] não é desprezível.

Criadores e gestores de conteúdo, desde o simples blogueiro aos maiores portais, encontram-se desprotegidos.” E também artistas, e governos, e toda a indústria cultural. Por que não tentar inventar a nova proteção, adequada aos novos tempos? A atuação de Gilberto Gil como ministro criou, dentro e fora do Brasil, a expectativa de que possamos apresentar, se não soluções definitivas, pelo menos novas maneiras de encarar os problemas colocados pela digitalização da cultura.

Deveríamos aceitar esse desafio.

(só pra lembrar, a consulta pública proposta pelo Minc está disponível aqui!)

domingo, 4 de julho de 2010

Mercado de estrelas - notas domênicas

"Não é à toa que a idéia do 'fim da arte', intelectualmente tão atraente, é mais ou menos contemporânea da idéia do 'fim da História', lançada por Francis Fukuyama. No livro O fim da História e o último homem, o triunfo do liberalismo capitalista foi apresentado como o encerramento da luta imemorial por uma sociedade mais justa e estável. Ou seja, o fim da história nada mais seria que a interrupção da busca histórica por um mundo melhor. Na arte, acontece o mesmo: o sistema neoliberal está satisfeito com a circulação permanente de modelos velhos em novas roupagens, que faz funcionar o mercado de compra e venda de obras e de estrelas."
(Luciano Trigo em A grande arte)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Quem não é ideológico?

Quem não é ideológico? Ou antes: qual o conceito que usamos de ideologia? Pois é, eis questões com que nos deparamos ao lermos mais uma nova presepada da grande imprensa nacional. De novo o Minc como alvo, acusado, mais uma vez, de dirigismos e intervencionismos - política pública para a maioria da população significa isso para os caras. Leiam (até o fim, inclusive a resposta do Ministério) e tirem suas conclusões:

Os perigos na revisão dos direitos autorais (Editorial)
O Globo, 27/06/2010 (Chamada de capa)

O anteprojeto de alteração da Lei de Proteção aos Direitos Autorais, do Ministério da Cultura, em audiência pública até 27 de julho, não é apenas mais uma iniciativa de regulação por parte do governo. Está em questão, na realidade, um tema fundamental em qualquer sociedade moderna: a amplitude do respeito à propriedade dos conteúdos e a remuneração de seus produtores. Depende do maior ou menor respeito ao Direito Autoral o estágio de desenvolvimento das nações.
Não é por acaso que o mais pujante sistema produtivo já criado pela Humanidade, em termos de produção propriamente dita e também em inovação (pesquisa e tecnologia), se baseia no reconhecimento da propriedade privada em geral e, em particular, na segurança jurídica concedida a empreendedores, inventores e artistas para usufruir suas obras. A proposta de mudanças nesta lei, portanto, tem de ser examinada e debatida com a atenção e profundidade necessárias.
Mesmo porque o MinC, no governo Lula, se notabiliza por ser um polo de pensamento dirigista e intervencionista. Foi assim com Gilberto Gil à frente do ministério, continuou da mesma forma sob as rédeas de Juca Ferreira.
E o anteprojeto faz jus à cultura estatista fermentada nestes sete anos e meio de MinC. Para os mal informados, qualquer coisa que se faça para vigiar o Ecad, sigla, com razão, considerada pelos músicos sinônimo de descaminhos, merece apoio.
Depende. Devido ao viés ideológico do MinC, o anteprojeto está contaminado de ideias como a do “controle social” - sempre este chavão - do artista sobre sua obra. Também devido a cacoetes ideológicos, propõe-se que o Estado aja para mediar a relação entre produtores de conteúdo e os “intermediários” ou “atravessadores”, entendidas como tais as empresas privadas que vivem de difundir conteúdos. Mais uma vez, entram na mira do MinC os grupos de comunicação, assim como editoras, gravadoras etc.
A proposta de mudanças chega a se arriscar em áreas delicadas, como a da propriedade de notícias, centro de grande conflito mundial entre produtores e difusores de conteúdos (mídia impressa, TVs e rádios) e mecanismos de busca, como Google, máquinas de ganhar dinheiro com mercadoria alheia, capturada e distribuída sem a devida remuneração.
Pois, para o MinC, “as notícias diárias que têm o caráter de simples informações de imprensa” não estarão protegidas pela lei debados Direitos Autorais. Trata-se de preocupante dispositivo.
O curioso é que o mesmo Projeto que visa a defender direitos do produtor de conteúdos amplia os casos em que qualquer obra pode ser utilizada sem a autorização do autor.
E quando procura defender os autores, o faz de tal forma que os fragiliza. É o que acontecerá caso venha a ser aprovado o artigo pelo qual os direitos do autor poderão ser renegociados no futuro, “em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis”.
O sucesso inesperado de um livro, por exemplo. Se o conceito tem lógica, colocá-lo em uma lei pela qual o Estado pretende intervir no relacionamento entre produtores e difusores de conteúdos significa estreitar o mercado para os autores, devido à insegurança jurídica criada. Repete-se a síndrome da CLT: a protetora dos trabalhadores que trava o crescimento do emprego formal, tais os custos existentes para o empregador.

O MinC esclarece:
O Ministério da Cultura agradece a disposição do jornal O Globo em participar do debate público sobre a modernização do direito autoral, demonstrada pelo editorial deste domingo (27/6). No entanto, convidamos o veículo a participar dessa discussão despindo-se de ideias pré-concebidas em relação ao governo federal e atentando à realidade do texto da lei. Por exemplo, não há, no anteprojeto de lei a expressão “controle social”, citada entre aspas no referido editorial. O que há é a proposta, inserida nos artigos 98 a 100b, de tornar transparente o sistema de arrecadação de direitos de autor no Brasil, face às constantes reclamações de artistas, criadores e usuários.
O trecho citado pelo jornal sobre “notícias diárias” já faz parte da Convenção de Berna, tratado internacional sobre o tema do qual o Brasil é signatário desde 1923. Não se trata, portanto, de nenhuma novidade. Outro trecho da lei, citado pelo veículo no editorial, referente a “acontecimentos extraordinários e imprevisíveis”, já faz parte do Código Civil Brasileiro.
Portanto, se o jornal O Globo tem alguma contribuição à proposta de modernização da Lei de Direito Autoral feita pelo Ministério da Cultura, agradeceríamos recebê-las na consulta pública colocada no ar em www.cultura.gov.br/consultadireitoautoral

domingo, 27 de junho de 2010

A arte da Caninha 51 - notas domênicas

"Até o final do Modernismo a criação de uma obra de arte implicava uma prática que envolvia técnica, duração, reflexão sobre fundo e forma, diálogo verdadeiro com as referências históricas. A obra acabada era resultado de todos esses elementos. O pós-moderno rejeita essa concepção da arte, deslocando o valor estético para o conceito, no sentido publicitário da palavra: a sacada, a boa idéia. É a arte da Caninha 51 (expressão de Ferreira Gullar)."
(Luciano Trigo no livro A grande feira)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O mapa da comunicação no Brasil



O Projeto Donos da Mídia reúne dados públicos e informações fornecidas pelos grupos de mídia para montar um panorama completo da mídia no Brasil. Nele estão detalhadas diversas informações sobre os seguintes tipos de veículos: emissoras e retransmissoras de TV; rádios AM, FM, Comunitárias, OT e OC; operadoras de TV a cabo, MMDS e DTH; canais de TV por assinatura; e as principais revistas e jornais impressos.
Para conferir clique aqui! vale muito a pena!

Solidariedade com as cidades vítimas das chuvas em PE e AL - utilidade pública

Aas chuvas causaram destruição em várias cidades de Pernambuco e Alagoas, mas principalmente as cidades como Barreiros, Palmares e Cortês onde a destruição foi muito grande e as pessoas dessas cidades estão precisando de nossa solidariedade, pois muitas famílias perderam tudo.

A seguir lista de locais onde poderemos fazer nossas doações.

Alimentos não perecíveis, água mineral, colchões, lençóis, material de limpeza, produtos de higiene pessoal, roupas e sapatos infantis.

Locais de doação:

Pátio de São Pedro
Bairro de São José - Centro

Sítio Trindade
Estrada do Arraial

Prefeitura do Recife

Av. Cais do Apolo, 925, Bairro do Recife

Assembleia Legislativa
Rua da Aurora

Quartel da PM no Recife
Bairro do Derby

Quarteis da PM (interior)

Quartel do Corpo de Bombeiros
Av. João de Barros, 399

Instituto Federal de Pernambuco
Todos os campi do Instituto nas cidades de Recife, Ipojuca, Belo Jardim, Vitória, Pesqueira e Barreiros. Informações: (81) 2125-1639.

IASC
Rua Imperial, 202, Bairro do Recife

BOMPREÇO
Os donativos devem ser entregues nas lojas Hiper Bompreço de Boa Viagem, Av. Recife e Casa Forte.

Sistema Jornal do Commercio de Comunicação
Recife
Portarias do Sistema Jornal do Commercio
Rua Capitão Lima, 250
Santo Amaro e Rua da Fundição, 257 - Santo Amaro
Loja de Serviço do JC - Rua Siqueira Campos 160 / Loja 05 - Santo Antônio

Caruaru
Sistema Jornal do Commercio em Caruaru - Av. José Pinheiro dos Santos, 351 - Caiucá

Pesqueira
Rádio Jornal Pesqueira - Av. F. Pessoa de Queiroz, s/n - Pesqueira

Garanhuns
Rádio Jornal Garanhuns - Av. Rui Barbosa, s/n - Heliópolis

OAB-PE
Rua do Imperador Pedro II, 235, Santo Antônio

Subseccional da OAB de Caruaru
Rua Cônego Júlio Cabral, 267, Bairro Universitário

Faculdade Maurício de Nassau
Rua Guilherme Pinto, 114 - Graças
Rua Fernandes Vieira, 110 - Boa Vista

Faculdade Joaquim Nabuco
Av. Senador Salgado Filho S/N - Centro - Paulista/PE - CEP: 53.401-440 RECIFE: Av. Guararapes, 233 - Centro - Recife/PE

Federação Espírita de Pernambuco
Av. João Barros, 1629 - Recife - PE, 52021-180

Instituto Pró-Cidadania
Rua Castro Alves, 343 - Encruzilhada - Recife/PE

Conselho Regional de Enfermagem
Rua Barão de São Borja, 243 Recife - PE, 50070-310

domingo, 20 de junho de 2010

Puro valor de troca - notas domênicas

"Não se pode mais dizer que está em curso um projeto imperialista americano. O próprio mercado que virou uma entidade autônoma: à hegemonia neoliberal globalizada corresponde uma hegemonia cultural, que pede uma arte neutra, sem fronteiras, transnacional, uma Word Art, um international style. Porque assim fica mais fácil reduzir a arte a puro valor de troca. Se, antes, o elitismo na arte estava ligado ao saber, ao domínio de um código de interpretação, hoje o elitismo é baseado na posição social e na senha da conta bancária. Colecionar arte contemporânea é ser reconhecido como integrante de uma elite, da mesma forma que aparecer numa fotografia na Ilha de Caras."
(Mais um trecho de A grande feira, livro de Luciano Trigo)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Direito Autoral - utilidade pública

MinC coloca em debate Anteprojeto de Modernização da Lei do Direito Autoral

O Ministério da Cultura lançou nesta segunda-feira, 14 de junho, a Consulta Pública para a Modernização da Lei do Direito Autoral, a Lei nº 9.610/98. O objetivo do processo democrático, que vai até 28 de julho, é estimular a participação da sociedade no aperfeiçoamento do texto. O anúncio aconteceu durante coletiva à imprensa realizada na sede do MinC, em Brasília.
“Nossa lei não é capaz de assegurar a plena realização do direito autoral no Brasil. Ela não cria nenhum mecanismo de harmonização entre o direito autoral e o direito de acesso à população. Não dá segurança jurídica aos investidores e falta transparência no sistema de arrecadação”, declarou o ministro da Cultura, Juca Ferreira, ao reconhecer a precariedade da legislação brasileira.
Para o ministro, é impossível criar uma Economia da Cultura no Brasil sem a modernização da lei. Segundo estudo realizado em 1998, pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), os setores impactados direta ou indiretamente pela criação das obras intelectuais representaram 6,7% do PIB do Brasil. Segundo o levantamento, o desenvolvimento dessa economia exige a construção de um sistema equilibrado, que a lei vigente do Direito Autoral brasileira não foi capaz de criar.
A nova lei propõe a harmonia entre os direitos dos criadores, cidadãos, investidores e usuários e incentiva a formação de novos arranjos produtivos. Isso dá maior controle do autor sobre sua criação, amplia o acesso à cultura e ao conhecimento, promove a diversidade da produção cultural e redistribui os ganhos relativos aos direitos autorais. Veja apresentação da nova lei.
Marcos Souza, coordenador da Diretoria de Direitos Intelectuais do MinC, afirmou que a Consulta Pública é uma continuação de debate público que ocorre desde 2007 por meio do Fórum do Direito Autoral. Ele explicou que a modernização garantirá mecanismos de transparência e controle social do sistema de arrecadação e distribuiçaõ do direitos autorais.
O que muda com a nova lei.
Também participaram da coletiva de imprensa o secretário executivo, Alfredo Manevy e o secretário de Políticas Culturais, José Luiz Herencia.
Participe da Consulta Pública e acesse a íntegra do anteprojeto.
(Comunicação Social/MinC)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Que outro motivo?

Por que uma notícia dessa não é o manchetão das capas dos jornais do país? Existe algo mais importante do que isso?

Brasil deve cortar pobreza à metade até 2014

Mantida a tendência de crescimento médio da economia no governo Lula, o Brasil cortará à metade o número de pessoas pobres até 2014.

O total cairá de 29,9 milhões para cerca de 14,5 milhões, o equivalente a menos de 8% da população, informa reportagem de Fernando Canzian publicada na Folha deste domingo (exclusivo para assinantes do jornal e do UOL).

Nos anos Lula, até a crise de 2009, o número de pobres (pessoas com renda familiar per capita mensal até R$ 137,00) caiu 43%, de 50 milhões para 29,9 milhões.

Hoje, a velocidade da queda do número de pobres é ainda maior, de cerca de 10% ao ano, segundo cálculos do economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Pesquisas Sociais da FGV-Rio.

"Estamos entrando em um processo de redução da desigualdade mais forte do que no período entre 2003 e 2008", afirma Neri.

Outros especialistas ouvidos pela Folha concordam com essas previsões, consideradas realistas ante a tendência dos últimos anos.

Consideram também viável o país manter um ritmo de crescimento até maior do que a média dos últimos anos. A previsão de crescimento para 2010, por exemplo, já varia entre 6,5% e 7,5%.

A diminuição do número de pobres e a ascensão de 32 milhões de brasileiros às classes ABC entre 2003 e 2008 esteve relacionada, principalmente, ao aumento do emprego formal e da renda do trabalho, à política de valorização do salário mínimo e aos programas sociais, como o Bolsa Família.

(fonte aqui)

domingo, 13 de junho de 2010

Revolução conservadora - notas domênicas

"O que vem acontecendo na arte contemporânea é uma revolução conservadora. Não no sentido político estrito, já que diversas manifestações artísticas têm a pretensão de um conteúdo 'de esquerda', mas sim por reverter processos emancipatórios que a arte moderna deflagrou."
(trecho de A grande feira, livro de Luciano Trigo)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

quarta-feira, 9 de junho de 2010

TVPE rules!!!

O Grupo de Trabalho nomeado pelo Governo do Estado de Pernambuco no final do ano passado para gerir a TVPE expôs ontem a sociedade civil um documento com as propostas para uma gestão democrática da emissora. Agora é esperar pelo veredicto do governador para que o grupo possa continuar a caminhada na formulação de uma televisão pernambucana que seja realmente pública. Para ter acesso ao documento, basta entrar aqui!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Miró amanhã no Laboratório!



A edição de amanhã do projeto Laboratório Literatura & Crítica, programa ao vivo de bate-papo sobre Literatura e Crítica Literária, receberá como convidados Fábio Andrade e Miró que tratarão do tema que mais conhecem: poesia. Será as 19:00hs, no teatro Apolo-Hermínio que fica na Rua do Apolo, 153, Bairro do Recife. Vale a pena um confere!

domingo, 6 de junho de 2010

Artista como valor de troca - notas domênicas

"Os discursos da arte contemporânea se afinam cada vez mais com o discurso das grandes corporações globalizadas, que promovem a mobilidade, a interconectividade, a ausência de fronteiras e a produção imaterial como os valores que definem a noss época. Os artistas reproduzem e reforçam assim o espírito da globalização neoliberal, cujos principais efeitos têm sido a mercantilização das relações humanas, a ausência de alternativas políticas e a desvalorização do trabalho. Conformados com a impossibilidade pós-moderna de qualquer projeto transformador (como foi o Modernismo), os artistas alimentam a alienação do público e se tornam eles próprios sujeitos alienados, incapazes de refletir criticamente sobre o sistema em que estão inseridos. O mercado reduz a obra de arte e o artista a valores de troca."
(trecho de A grande feira, livro de Luciano Trigo)

domingo, 30 de maio de 2010

Artista 51 - notas domênicas

"Por que ninguém fala mais em Picasso e tanta gente ainda se inspira em Duchamp? A resposta é simples: a arte de Picasso exige talento, técnica, reflexão sobre a vida e a História, enquanto Duchamp, por genial que tenha sido em seu momento, traz uma mensagem muito mais fácil de ser assimilada e copiada. A mensagem é: qualquer um pode ser artista. Como no anúncio da Caninha 51, basta uma boa ideia."
(Luciano Trigo, mais uma de A grande feira)

domingo, 23 de maio de 2010

A inconsciência alienada do próprio papel - notas domênicas

"Todos os movimentos de vanguarda do século XX que resistiram à prova do tempo - e foram vários - devem boa parte do seu êxito ao fato de terem mobilizado a sociedade em debates produtivos, porque estavam associados a transformações sociais, culturais, psicológicas e tecnológicas que tinham um impacto direto nas vidas das pessoas.
A vanguarda moderna podia ser elitista, prescritiva e utópica, mas ao menos acreditava que um dia seria entendida pela sociedade à qual servia de precursora e guia – e à qual desafiava sempre, tentando abalar a ordem estabelecida. Acreditava-se que a arte era fundadora de sentido. Desfeita essa ilusão, ao artista contemporâneo só resta o cinismo - ou a inconsciência alienada do próprio papel."
(Luciano Trigo em A grande feira)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Vitória da reação

Isto sim, deixa mais triste que aliança com PMDB:

PNDH3: a grande mídia vence mais uma
O curto período entre 21 de dezembro de 2009 e 12 de maio de 2010 foi suficiente para que militares, ruralistas, Igreja Católica e a grande mídia conseguissem que o governo recuasse em todos os pontos de seu interesse contidos na terceira versão do PNDH.

Venício Lima*

O curto período de menos de cinco meses compreendido entre 21 de dezembro de 2009 e 12 de maio de 2010 foi suficiente para que as forças políticas que, de fato, há décadas, exercem influência determinante sobre as decisões do Estado no Brasil, conseguissem que o governo recuasse em todos os pontos de seu interesse contidos na terceira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos (Decreto n. 7.037/2009). Refiro-me, por óbvio aos militares, aos ruralistas, à Igreja Católica e, sobretudo, à grande mídia.

Em editorial com o sugestivo título de “O Poder da Pressão”, publicado no dia 15 de maio, o jornal O Globo não poderia ter sido mais explícito. Para o jornalão carioca, os interesses dessas forças políticas são confundidos deliberadamente com “um forte sentimento coletivo” e com o interesse da “sociedade”. Afirma o editorial:

“Decorridos cinco meses do seu lançamento, o PNDH foi alvo de críticas de militares, da Igreja, de agricultores e de órgãos de comunicação, pela visão unilateral com que abordava questões polêmicas. Entre estas, a atuação dos órgãos de segurança durante o regime militar de 64, o aborto, as invasões de terra e a liberdade de expressão. (...) O recuo do Planalto não deixa de corresponder a uma vitória significativa da sociedade, cujo poder de pressão ficou evidente no episódio.”

Direito à Comunicação
No que se refere especificamente ao direito à comunicação, o novo Decreto mantém a ação programática (letra a) da Diretriz 22 que propõe "a criação de marco legal, nos termos do art. 221 da Constituição, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão (rádio e televisão) concedidos, permitidos ou autorizados". Agora, no entanto, foram excluídas as eventuais penalidades previstas no caso de desrespeito às regras definidas. Foi também excluída a letra d, que propunha a elaboração de “critérios de acompanhamento editorial” para a criação de um ranking nacional de veículos de comunicação.

Abaixo o que foi alterado:

Diretriz 22: Garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à informação para consolidação de uma cultura em Direitos Humanos.

Objetivo Estratégico I:

Promover o respeito aos Direitos Humanos nos meios de comunicação e o cumprimento de seu papel na promoção da cultura em Direitos Humanos.

Ações Programáticas:

Era assim:

a) Propor a criação de marco legal regulamentando o art. 221 da Constituição, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão (rádio e televisão) concedidos, permitidos ou autorizados, como condição para sua outorga e renovação, prevendo penalidades administrativas como advertência, multa, suspensão da programação e cassação, de acordo com a gravidade das violações praticadas.

Ficou assim:

a) Propor a criação de marco legal, nos termos do art. 221 da Constituição, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão (rádio e televisão) concedidos, permitidos ou autorizados.
(...)

A ação programática contida na letra d foi revogada:

d) Elaborar critérios de acompanhamento editorial a fim de criar ranking nacional de veículos de comunicação comprometidos com os princípios de Direitos Humanos, assim como os que cometem violações.

O poder da grande mídia
Na verdade, os principais grupos de mídia atingiram seus objetivos em período ainda menor do que o necessário para as outras forças políticas: entre 8 de janeiro e 12 de maio, pouco mais do que quatro meses.
Na primeira data foi publicada uma Nota à Imprensa conjunta, assinada pela ABERT, pela ANJ e pela ANER. A Nota terminava afirmando:

“As associações representativas dos meios de comunicação brasileiros esperam que as restrições à liberdade de expressão contidas no decreto sejam extintas, em benefício da democracia e de toda a sociedade.”

Agora, logo depois da publicação das alterações do plano (Decreto n. 7.177/2010), as mesmas entidades voltam a publicar Nota à Imprensa, dessa vez considerando “louvável” o recuo do governo.

“As associações representativas dos meios de comunicação brasileiros consideram louvável a iniciativa do governo de suprimir pontos críticos que ameaçavam a liberdade de expressão do Decreto nº 7.037, que aprovou o Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH 3.”

Não vou repetir aqui os argumentos de que o PNDH3 original não propunha nada que fosse inconstitucional ou que ameaçasse a liberdade de expressão ou a liberdade de imprensa.

Registro apenas que a realidade fala mais alto e confirma que ainda não foi dessa vez que o interesse público prevaleceu sobre os interesses da grande mídia.

E, assim, caminhamos.

*Venício A. de Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010 (no prelo).

domingo, 16 de maio de 2010

Sem chance - notas domênicas

"Se as vanguardas modernas funcionavam como a consciência crítica da sociedade burguesa, nos tempos pós-modernos o sistema da arte se transformou no ponto de encontro das elites da nova sociedade neoliberal, e o mercado de arte, em seu bezerro de ouro. Conformista, a arte não apresenta mais qualquer alternativa aos valores burgueses que prevalecem no dia a dia. Uma poderosa megaestrutura — da qual o artista depende cada vez mais — administra, com as mais avançadas técnicas de marcketing e relações públicas, produção, a circulação e o consumo das obras. Acreditar que alguma arte verdadeiramente crítica pode ser produzida nesses moldes é, no máximo, ingênuo."
Luciano Trigo em A grande feira (livro da capa ao lado, por sinal, das melhores coisas que li nos últimos tempos. Não sou do ramo, mas aconselho!)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Artes Cênicas - notas de ficança

Mercado de São José, 12:36, Bairro de São José, Recife:

- Grande, tem ainda aquela feijoadinha?
- Teeemmm!... Solta uma feijoada aqui pro Artes Cênicas!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A volta do Papa Figo!


Tão pensando que é mentira? Então cliquem aqui e confiram o retorno de uma das maiores lendas urbanas brasileiras!

domingo, 9 de maio de 2010

domingo, 2 de maio de 2010

Sem chance - notas domênicas

"Toda cultura é cultura de classe"
(José Ramos Tinhorão em depoimento para matéria de Luiz Fernando Vianna, Publica da no caderno Mais!(FSP, 25/04/10), mostando-se mais interessante do que eu pensava. Para ler o texto na íntegra, clique aqui)

terça-feira, 27 de abril de 2010

Os impérios do ar

Na proximidade das comemorações das independências dos países latino-americanos, as lutas continuam... É só clicar aqui pra conferir no ótimo texto da Gislene Moreira, doutoranda em Ciência Política pela FLACSO-México e membro do Grupo de Pesquisa CEPOS(Comunicação, Economia Política e Sociedade).

É Sapo Seis!...


(clique na imagem p/ ampliá-la)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Biu Roque (obituário)

A cultura popular brasileira está de luto: faleceu na última sexta-feira um de seus bastiões, o brincante caboclo Biu Roque. Segue abaixo uma matéria de Michelle de Assumpção sobre o fato que foi publicada sábado no Diário de Pernambuco.

Silêncio na sambada
A cultura popular de Pernambuco perdeu um patrimônio vivo. João Soares da Silva, o Biu Roque, morreu na noite da sexta-feira, por complicações ocasionadas por um AVC, sofrido há duas semanas. Por coincidência, poucas horas após sua partida, dois de seus principais discípulos tinham show marcado no mesmo palco, na programação paralela do festival Abril pro Rock, no Recife Antigo. Alessandra Leão e Siba com a Fuloresta do Samba não deixaram de se apresentar, pois ambos lembraram de imediato o que dizia Biu Roque à respeito da morte, a dos outros e a sua própria.

"Quando eu morrer, quero que a sambada continue", falava. E assim foi feito. Depois do show, nos bastidores, Alessandra Leão e seu marido, o arranjador, violeiro, compositor e produtor Caçapa comentavam a amizade que fizeram com Biu Roque, que começou há muitos anos e se intensificou há pouco mais de um ano, quando entraram em estúdio para gravar o primeiro CD só de Biu Roque, que vai se chamar A noite hoje é a maior. Está tudo gravado, vozes e instrumentos, só falta mixar e masterizar. No dia da sua partida, Alessandra tinha recebido a arte da capa do disco. Por muito pouco Biu Roque não viu seu primeiro disco solo ficar pronto.


No myspace do artista – ex-cortador de cana-de-açúcar, nascido em Condado e morador do sítio Chã do Esconso, em Aliança - é possível ouvir e ler um pouco sobre a sua história. A página foi desenvolvida por Alê e Caçapa, para que o valor da obra de Biu ficasse cada vez mais conhecido do povo. Mesmo sem toda a fama de um Salustiano, Biu Roque tinha o mesmo tanto de conhecimento. Tinha total domínio de gêneros musicais tradicionais como o coco de Roda, a ciranda, o maracatu rural e as toadas de Cavalo Marinho, e os sambas típicos da Zona da Mata.

No myspace também está sua discografia. Todos os discos que tiveram a participação de Biu Roque são até hoje alguns dos mais importantes para a cultura popular, sobretudo o cavalo-marinho e o maracatu rural, dos quais era mestre maior. Entre eles, os álbuns do Mestre Ambrósio, de 1996 e 1999. O rabequeiro Siba Veloso foi – entre os da nova geração de músicos pernambucanos ligados à tradição de sua terra - discípulo e ao mesmo tempo um exemplo para Biu Roque. Pois foi através da banda montada posteriormente pelo ex-Mestre Ambrósio, chamada Fuloresta do Samba, que Roque pode viajar o Brasil e o mundo inteiro, participar de discos e ter sua importância cada vez mais atestada por todos que conviveram com ele.

A primeira grande platéia de Biu foi no Abril Pro Rock, em 2003. No ano seguinte, ganhou o mundo com a Fuloresta, numa turnê de duas semanas pela na Europa. Foi a Portugal, Holanda e França. Na voz e na percussão da Fuloresta do Samba, a “goela de ouro da Mata Norte” esteve nos CDs e DVD do seu grupo com Siba, mas também figurou em discos como: Siba e Barachinha (No Baque solto somente, de 2003), no disco de Beto Villares (Excelentes lugares bonitos, de 2003), no disco Pimenta com Pitú, de seu Luiz Paixão (2005), em Brinquedo de Tambor, da própria Alessandra Leão (2006, Independente) e em coletâneas locais - como Frevo no mundo (Candeeiro Records, 2008) – e estrangeiras, a exemplo de What‘s Happening in Pernambuco: New Sounds of the Brazilian Northeast (2007, Luaka Bop) e Criolina: Globrazilian Grooves - Coletânea (2008, Independente).

Quando subiu ao palco, no último sábado, Siba sabia que o fazia muito pelo gosto do mestre que fosse assim. Os metais da Fuloresta soavam mais solenes e na percussão, estava o filho, Mané Roque, mas faltava o pai. Mesmo triste, foi um show forte e todos tocaram com vontade e emoção. Vão ter que se acostumar assim. “Eu tenho certeza que ninguém passou aqui o que esse homem passou de dureza na vida e mesmo assim eu nunca o vi sem estar sorrindo, sempre alegre, foi um privilégio tê-lo conhecido”, falou Siba que, naquela noite, terminou o show mais cedo que de costume. Era hora de voltar a Zona da Mata para a última despedida. O enterro do mestre estava programado para o fim da tarde do sábado, em Goiana.

Por

domingo, 25 de abril de 2010

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Muito além de Gutenberg

O título desse post foi roubado de um texto que li hoje de rolé na web - vale o confere. Aliás, a pérola foi encontrada no Outras Palavras, blog bacaníssimo sobre comunicação em tempos de compartilhamento. Vão lá!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O "X" da questão do pixo

Segue nesse link ótima entrevista com o curador Moacir dos Anjos que foi publicada hoje nas folhas dos Frias.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O cheiro do tucanato

O Dr. E. bem que alertou: levar a apresentadora e modelo Ana Hickmann para apresentar o evento que lançou a pré-candidatura à presidência do ex-governador José Serra (PSDB-SP) cheirava a coisa de elite paulistana, que sempre se mostrou pouco envolvida com o Brasil fora do eixo.
Bom, no meio do evento realizado em Brasília, eis que a jornalista Eliane Cantanhêde (Folha de São Paulo) terminou por nos brindar com a sua sintomática reportagem:



Uma ótima análise sobre nossa conjuntura política pré-elições presidenciais se encontra aqui no texto de Kararina Peixoto, publicado nesse link do site da Agência Carta Maior. Boa leitura!

domingo, 11 de abril de 2010

Os donos da palavras - notas domênicas

"As palavras pertencem metade a quem fala, metade a quem ouve."
Montaigne

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Tudo como antes no quartel do Abrantes!

Ana Hickmann apresentará evento tucano

O PSDB contratou a apresentadora e modelo Ana Hickmann para apresentar o evento que lançará a pré-candidatura à Presidência do ex-governador José Serra (PSDB-SP).

Amanhã, as legendas de oposição -PSDB, DEM e PPS- farão em Brasília o chamado "Encontro de Partidos", que na prática lançará Serra na disputa presidencial. Os organizadores esperam levar cerca de 3.000 simpatizantes ao evento. (Folha de São Paulo, 09/04/10)

É o ou não é a cara do PSDB?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Malcolm McLaren, morre aos 64 anos - obituário

Malcolm McLaren, "inventor" dos Sex Pistols e um dos articuladores mais criativos da história do pop, morreu nesta quinta (8), aos 64 anos, em Nova York. Ele sofria de câncer há bastante tempo.
Em 1971, McLaren abriu em Londres uma loja de roupas com a estilista Vivienne Westwood chamada Sex. Foi entre os frequentadores da loja que ele encontrou os voluntários para sua empreitada mais famosa, os Sex Pistols. A banda detonou o movimento punk na Inglaterra, atingindo sucesso e polêmcia na mesma medida. Seu álbum, Never Mind the Bollocks, é considerado um dos melhores discos de rock de todos os tempos.

Os donos da mídia no Brasil - utilidade pública

Hoje recebi um e-mail bastante situador no que diz respeito a quem são os donos do quarto poder no Brasil - como forma de utilidade pública, repasso abaixo. Estão divididos em 4 grupos que se entrelaçam entre eles. Eis nossos responsáveis invisíveis:

Grupo 1
O primeiro grupo – os “cabeças-de-rede” – são as famílias que controlam as redes de nacionais de comunicação, de TVs, rádios, e jornais de circulação nacional:
• Organizações Globo – família Marinho
• Rede Record – Igreja Universal - Edir Macedo
• Sistema Bandeirantes de Comunicação – família Saad
• Sistema Brasileiro de Televisão–SBT – Silvio Santos
• Grupo O Estado de São Paulo (Estadão)– família Mesquita
• Grupo Folha de São Paulo – família Frias
• Grupo Abril – família Civita (responsável por 70% do mercado de revistas do país, incuindo a Veja).

É importante ressaltar que alguns desses grupos possuem também portais na internet e agências de notícias (ex. UOL, da folha, globo.com, agência Estado, agência globo).

GRUPO 2
O segundo grupo de “donos da mídia” é composto por grupos nacionais e regionais com presença econômica expressiva e alguns fortes grupos regionais. Entre estes grupos estão:

● o Grupo RBS da família Sirostski no RS
● as Organizações Jaime Câmara em Goiás e Tocantins
● o Jornal do Brasil, no DF
● a Gazeta Mercantil, em SP

GRUPO 3

O terceiro grupo é composto por grupos regionais de afiliados às redes nacionais de TV. Neste grupo estão presentes as oligarquias regionais que, obviamente, controlam tanto o poder econômico, quanto o político.
Outra questão importante a ressaltar é que, embora vinculados às redes nacionais de TV, esses grupo locais controlam todo o sistema de comunicação regional por meio de inúmeras rádios e jornais. Exemplos em alguns estados:

● Ceará - família Jereissati (do Senador Tasso Jereissati - PSDB)
● Rio Grande do Norte - família Maia (do Senador Jose Agripino Maia - DEM) e
família Alves (do Senador Garibaldi Alves Filho - PMDB)
● Bahia - família Magalhães (do deputado ACM Neto - DEM)
● Maranhão - família Sarney (do Senador José Sarney - PMDB)
● Alagoas - família Collor (do Senador Fernando Collor de Mello - PRTB)
● Sergipe - família Franco (do SenadorAlbano Franco - PSDB)
● Pará - família Pires (do Deputado Vic Pires - DEM)

GRUPO 4
O quarto grupo é composto por pequenos grupos regionais de TV, rádio e jornais ou ainda por veículos de pequena participação no mercado de mídia, mas que muitas vezes são apêndices de fortes grupos que atuam em outros ramos da economia.
Um bom exemplo dessa situação é a TV Brasília, que durante um bom tempo foi propriedade do Grupo Paulo Octávio. Ou seja, os pequenos grupos de mídia estão também, em sua maioria, sob controle do poder local.
É por isso que nos municípios do interior do país, o dono da rádio local é também o chefe político municipal.


Nossos fabricantes de verdades, muito prazer...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Um cineasta, enfim, toma partido

clique aqui e veja artigo do cineasta Jorge Furtado sobre nossa imprensa!

domingo, 4 de abril de 2010

Sem verniz - notas domênicas

"O dinheiro como valor hegemônico na sociedade contemporânea é suposto promover a ascensão social, baseada esta exclusivamente em critérios econômicos e no prestígio do dinheiro. Em seu livro 'O Processo Civilizatório', Norbert Elias analisa os primórdios da 'revolução burguesa' na França, indicando a democratização dos costumes de corte. A burguesia, no esforço de alcançar uma legitimidade que não fosse a do dinheiro que ainda não se impusera como valor, procurou 'aristocratizar-se', adotando a etiqueta e 'as boas maneiras'. Como lhe faltava o universo das tradições e dos méritos da nobreza, esforçou-se para ascender aos bens culturais. Mas, com a institucionalização da sociedade de consumo, os bens culturais que exigiam iniciação para serem compreendidos em suas linguagens próprias - como as artes e os saberes literários - foram sendo abandonados e passaram a se reger pela obsolescência constante.

De onde o advento de 'modas intelectuais'. A ideologia 'novo-rico' prescinde até mesmo do 'verniz da cultura'. Porque a ideologia dominante na sociedade é a da classe dominante, a contemporânea é a dos 'novos ricos'. O 'novo rico' é aquele que conhece o preço de todas as coisas mas desconhece seu valor. Sob seus auspícios, a educação produz uma cultura embotadora da sensibilidade e do pensamento, pois é entendida pela ideologia 'novo rico' como 'serviço' e mercadoria mais ou menos barata dos quais o novo rico é cliente e consumidor."



Olgária Mattos, filósofa e professora titular da Universidade de São Paulo, em A democracia moderna: a corrupção e a estética da moeda - texto na íntegra aqui!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

33 anos de cruz!

Já que a sexta-santa bate na porta, o Dr. E. presta uma honrosa homenagem ao maior e mais experiente - são 33 anos de cruz, é o fraco! - cover de Cristo de todos os tempos e republica uma antiga crônica d'O Carapuceiro, escrita pelo seu devoto e não menos talentoso Xico Sá:



Cristo pregado, e as formigas judiando 05-abril-2004
No início era Zé Pimentel, o Jesus oficial e vitalício do coração do povo pernambucano... Ele reinou até o período a.CC, antes dos Cristos de Caras.
Por Xico Sá

Que Jesus de Mel Gilbson que nada, que Je vous salue Marie que nada, Franco Zefirelli também num pegava uma letra. O clássico dos clássicos mesmo é José Pimentel, que fazia o Jesus de Nova Jerusalém a.C.C. (antes dos Cristos de Caras). Preterido pelos Cristos de novela, mudou-se de mala e cuia para o estádio Arruda, onde continua a levar no lombo durante a Semana Santa.
Professor de-não-sei-o-quê deste escriba, na várzea da UFPE, ele contava que o pior momento do drama, o mais bíblico, o mais sofrido, era quando as formigas de Fazenda Nova se assanhavam e procuravam abrigo nos seus zovos justamente na hora em que o filho do Homem estava todo pregado na cruz. Pense num desconforto! Formiga de roça, das ruivas e das pretas, daquelas que não se deixam vencer nem mesmo pelo mais potente dos formicidas. Daquelas formigas de fábulas, cheias de moral, umas chatas. Todas alojadas nos bagos do velho Pimentel. Isso é o que se chamava antigamente de distanciamento brechtiano, me ensinou certa vez o velho e bom Cadengue.
Hoje o mauricinho de Jerusalém tem vida fácil. É só ajustar a peruca (aplique, sabe-se lá) e oferecer a outra face... Além de não ter a frevioca escrotal do formigueiro, Maria é sempre uma gostosa da Globo, Judas é argentino de piada, claro, e Madalena é nada mais nada menos do que Luana Piovani. Galeeeega... Assim é trabalho fácil, melhor do que achar dinheiro em calçada alta –num precisa nem gastar as juntas para se abaixar. Uma moleza. Que drama que nada. É a verdadeira farsa da Boa Preguiça. E quando o Cristo começa a pagar os pecados, as taradas ainda se assanham: “Lindo, lindo, lindo!” “Gostoso, gostoso, gostoso!”. Umas moças velhas dos caritós sertanejos e agrestes, viúvas virgens de Zé Pimentel, correm doidas do juízo. É preciso amarrá-las e conduzi-las ao manicômio de Inocêncio, lá para as bandas de Serra Talhada.
Quem fica hospedado na Pousada da Paixão, do esquema do filho do Homem, vira automaticamente figurante privilegiado da peça. É Paixão de Cristo com abadá, como o carnaval da Bahia. Tem direito a ver as chagas de Cristo bem de pertinho. Se der sorte sobra até um daqueles pregos para bater, uma chicotada para dar, um cascudo, uma dedada, um beliscão de uma donzela empedernida...
Vida fácil a desses Cristos de Caras!


Boa Páscoa a todos!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Que oposição, hein!?

Oposição "clona" emenda de petrolíferas
da Folha Online

Três deputados federais de oposição apresentaram separadamente emendas aos projetos do pré-sal que, além de coincidirem com os interesses das grandes empresas do setor petrolífero, têm redação idêntica, segundo reportagem de Ranier Bragon, Fernanda Odilla e Valdo Cruz, na edição da Folha desta sexta-feira (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

As propostas foram apresentadas pelos deputados José Carlos Aleluia (DEM-BA), Eduardo Gomes (PSDB-TO) e Eduardo Sciarra (DEM-PR). Segundo a Folha, as emendas clonadas eram parte de versões preliminares preparadas por petrolíferas e repassadas aos deputados por consultores e representantes de empresas. Entre as modificações em relação ao projeto do governo está a de que a Petrobras não seja a operadora exclusiva dos campos.

"O IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo), que reúne as principais empresas do setor, confirmou que procurou em Brasília lideranças de oito partidos, entre quarta e ontem, mas negou a autoria das emendas 'clonadas', embora o teor coincida com o que o setor defende", diz a reportagem.

No último dia 8, o presidente do IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo), João Carlos de Luca, afirmou que a exploração dos reservatórios pós-sal localizados nas regiões sujeitas à nova regulação proposta pelo governo para o pré-sal pode ser prejudicada.

Para ele, a Petrobras, que será operadora única dos blocos, poderia não ter interesse em explorar um poço com capacidade menor diante de possibilidades mais rentáveis no pré-sal. "O (petróleo do) pré-sal não é definido no projeto. O que é definido é a área do pré-sal", disse De Luca durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Pelo projeto de lei enviado ao Congresso estarão sujeitas às novas regras a exploração e produção nas áreas do pré-sal e estratégicas. As demais áreas continuam sob regime de concessão.

O novo marco regulatório propõe um modelo de partilha, que deixa nas mãos do Estado uma parcela da produção. As novas regras, se aprovadas, também dão à Petrobras o monopólio da operação dos reservatórios com uma parcela mínima de 30% em cada bloco.

terça-feira, 23 de março de 2010

Nosso velho preconceito de classe...

Nostalgia da lama
Escândalos envolvendo os jogadores Adriano e Vagner Love, do Flamengo, escancaram o preconceito de classe no Brasil
Por JOSÉ GERALDO COUTO

Talvez não seja correto dizer que o esporte é um espelho da sociedade, mas a maneira como os fatos do esporte e seu entorno são lidos pela mídia certamente diz muito sobre ambas (a sociedade e a própria mídia).
O "mea culpa" do golfista Tiger Woods diante das câmeras expôs muito mais que suas infidelidades conjugais. Colocou a nu uma cultura manifestamente puritana que transforma em espetáculo midiático a repressão de suas pulsões.
Como se sabe, muitos norte-americanos, talvez a maioria, acham que gostar de sexo é uma espécie de doença.
No Brasil, a cobertura e a repercussão crítica dos recentes escândalos envolvendo os astros do futebol Adriano e Vagner Love revelam, entre outras coisas, um indisfarçável preconceito de classe.
O que mais escandaliza a chamada crônica esportiva, com honrosas exceções, parece ser o ambiente em que os personagens foram "flagrados". A própria recorrência desse verbo é significativa, como se estar num baile funk ou simplesmente na favela fosse por si só uma atitude ilícita ou, no mínimo, suspeita.

Na Chatuba e na Barra
O vínculo entre os termos favela e crime, martelado durante décadas pelos meios de comunicação, parece ter-se tornado indissolúvel.
Condena-se Adriano não tanto por trocar socos com a namorada, mas por fazê-lo no morro da Chatuba, e não numa cobertura na Barra da Tijuca ou num palacete em Milão.
O viés de classe nunca ficou tão evidente, aliás, como quando o jogador, um ano atrás, deixou de se reapresentar a seu clube, a Internazionale de Milão, e se refugiou durante três dias no bairro onde se criou, no Rio de Janeiro. A perplexidade foi geral, na imprensa e no mundo futebolístico.
A pergunta que se repetia era: como um sujeito abre mão de milhões de euros, do destaque num clube de ponta, de uma cidade sofisticada, para voltar à favela? O corolário, explícito ou subjacente, era mais ou menos o seguinte: "Quem nasceu na maloca nunca vai deixar de ser maloqueiro".
Uma espécie de "nostalgia da lama" arrastaria Adriano para baixo -ainda que, topograficamente, para cima.
O que escandaliza, no fundo, é a recusa em aderir aos valores, condutas e discursos tornados praticamente compulsórios para quem "vence" na nossa sociedade.
Não se perdoa Vagner Love por optar por um baile funk na Rocinha em vez de uma boate na zona sul do Rio. No primeiro, estão os "bandidos"; na segunda, a gente de bem.
Pouco importa que o tráfico que mata tanta gente no morro se alimente do consumo recreativo de muitos habitués das casas noturnas chiques.
Num país de "malandros com contrato, com gravata e capital", não escandaliza ninguém que Kaká saia publicamente em defesa dos líderes de sua argentária igreja, investigados em dois países por estelionato e lavagem de dinheiro.
Kaká, diz a crônica em uníssono, é um rapaz de boa cabeça, de boa família, de boa "estrutura". Mas Vagner Love aparecer num baile na Rocinha ladeado por traficantes armados (algo que talvez ocorresse com qualquer celebridade que visitasse o local) é intolerável.

Motel e travestis
Para reforçar a constatação de que, entre nós, o viés de classe é ainda mais forte do que o viés moralista, um caso exemplar é o de Ronaldo, "flagrado" (olha o verbo de novo) com três travestis num motel do Rio.
O que mais se ouviu, nos bastidores da imprensa, foi: "Como é que um sujeito com a grana que ele tem vai se meter com travecos de rua? Era só pegar o telefone e encomendar a perversão que quisesse, no sigilo do seu apartamento ou de um hotel de luxo".
Ou seja, dependendo do montante gasto, do cenário e dos figurinos, tudo é bonito e aceitável.

Informe: Cafofinho no UK!


"Não vejo filme, nem leio poesia. O bom mesmo que eu gosto é camarão de bacia". Ze Cafofinho e suas correntes voltam a tocar no Recife, depois da temporada no sul. Séra no UK-pub: terça feira, 22 horas. Passiarrombá!

Consultão público na cultura


Rolou em Brasília, entre os dias 11 e 14 desse mês, a II Conferência Nacional de Cultura. O evento foi, como é práxis das conferências, uma grande consulta aos representantes do setor de todos os estados do país. É através das propostas dos delegados, eleitos nas suas respectivas conferências estaduais, que o governo federal tirará subsídios para a construção do nosso Plano Nacional de Cultura. A II CNC foi estruturada em 5 eixos:
1 - Produção Simbólica e Diversidade Cultural
2 - Cultura, Cidade e Cidadania
3 - Cultura e Desenvolvimento Sustentável
4 - Cultura e Economia Criativa
5 - Gestão e Institucionalidade da Cultura

Desses eixos foram tiradas propostas prioritárias para a política pública de cultura no patropi. Além disso, também foram elencadas propostas para cada setor cultural brasileiro. Confiram!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Seminários Semana Chico Science

Começa hoje os seminários da Semana Chico Science. Imperdível!, eis a programação:

* Arte e tecnologia.
O tema, muito presente nas propostas das bandas fundadoras do manguebeat, como Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, reflexo da ligação de Recife com as modernas tecnologias, revelou-se um aspecto essencial da cultura contemporânea. “Cultura eletrônica” hoje diz respeito não só aos meios de produção artística, mas da própria redifinição das relações entre artista, público e mídias.

Palestrantes:
h.d.mabuse (C.E.S.A.R. – PE)
Rodrigo Savazoni (Casa da cultura digital São Paulo – SP)

* Coletivismo artístico e econômico.
Herdado do punk, do hip-hop e da música eletrônica, esse aspecto presente na origem do manguebeat, por exemplo na autoria coletiva dos manifestos, na produção de shows e (tentativamente) de discos, e na difusão do movimento, está cada vez mais presentes nas organizações coletivistas culturais e econômicas em centenas de municípios brasileiros.

Palestrantes:
Tathiana Nunes (Coquetel Molotov – PE)
Pablo Capilé (ABRAFIN – MT)

* Quebra do antagonismo entre “pop” vs. “popular”.
Valorizando a cultura de raiz, Chico Science conseguiu não apenas definir uma estética fundindo pop e popular, mas principalmente fechar um pouco o fosso entre a percepção cultural da elite intelectual e do povo brasileiros. Renato L e Gilberto Monte comparam as diferenças históricas e artísticas entre o pop recifense e o baiano nas duas últimas décadas.

Palestrantes:
Renato L (Secretaria de Cultura do Recife – PE)
Gilberto Monte (Fundação Cultural do Estado da Bahia/SecultBA – BA)

* Descentralização da produção cultural nacional.
A Recife do manguebeat foi ponta de lança no movimento de deslocamento do eixo da produção cultural brasileira, quebrando a hierarquia encabeçada pelo Rio e São Paulo e as próprias hierarquias de classe na cidade. A ruptura da noção de centro e periferia se reflete hoje no surgimento de cenas interessantes de música e cultura em todos os pontos do país, incluindo as regiões centro-oeste e norte.

Palestrantes:
Ângela Prysthon (UFPE – PE)
Cláudio Prado (SP)

Mais infos aqui!

TV Pernambuco convida sociedade para discutir TV Pública

O Grupo de Trabalho instituído pelo Detelpe que estuda a reformulação da TV Pernambuco convida a sociedade a debater sobre a missão de uma emissora pública de comunicação nesta terça-feira, dia 23 de março, a partir das 14h30 no auditório do Porto Digital, na Rua do Apolo, 181, no Recife Antigo. O encontro “Pra que serve uma TV Pública?” é o primeiro de uma série de três eventos preparatórios para o seminário de apresentação da proposta do GT, que será baseada nas discussões com produtores independentes, artistas e integrantes da sociedade civil.

Para nortear os debates, foram convidados o jornalista Jonas Valente, integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social – e a radialista Indira Amaral, Diretora Presidente da Fundação Aperipê, órgão gestor das emissoras Aperipê TV, além de rádios AM e FM em Sergipe. Jonas é co-autor do livro “Sistemas Públicos de Comunicação no Mundo”, enquanto Indira faz parte da diretoria da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec).
O diretor-presidente do Detelpe/TV Pernambuco Roger de Renor reitera a importância da ampla participação da sociedade, mas ressalta o objetivo deste primeiro encontro. “Não é hora de sugerir novos programas. Antes disso precisamos definir juntos o que é que vai fazer com que nossa emissora seja realmente pública. O que é que faz com que ela seja diferente das outras? É pra responder essas questões que estamos convidando esse encontro”.

Após o I encontro, serão realizados outros dois. Um sobre gestão e outro sobre novas tecnologias. Todas as discussões serão sistematizadas e agregadas às propostas do Grupo de Trabalho para a reformulação da TV Pernambuco.

Vamos participar!!!

Quando: Dia 23 de março, às 14h
Onde: No Auditório do Porto Digital (antigo Bandepe), Avenida Cais do Apolo, 222, 16º Andar.
no Recife Antigo
Informações: tvpernambucoseminario@gmail.com

*********************

Para saber mais:

REFORMULAÇÃO DA TV PERNAMBUCO
Uma necessidade democrática

A TV Pernambuco é uma concessão de canal comercial outorgada ao Governo de Pernambuco e gerida como uma televisão estatal. O atual governo, consciente da importância desta ferramenta de comunicação, da necessidade de proceder o seu desenvolvimento e sensível aos argumentos e reivindicações dos produtores de informação, cultura e conhecimento do Estado e do movimento pela democratização da comunicação, resolveu instituir um processo que objetiva alavancar a qualidade do veículo e ampliar o caráter público em sua programação e no seu perfil. Isso significa implantar uma nova maneira de gerir o canal, de conceber e produzir sua programação, de manter e desenvolver sua sustentabilidade e de estabelecer parcerias com produtores locais de conteúdo áudio-visual.

Como uma mudança dessa envergadura não se dá de uma hora para outra, o Governo do Estado está nomeando uma nova diretoria que, respaldada por um Grupo de Trabalho formado por pessoas oriundas daquele movimento que reivindica um novo tipo de comunicação pública e por representantes de setores do Estado diretamente ligados à cultura e à informação para, inicialmente em um prazo de três meses, cumprirem as seguintes tarefas prioritárias:

1 – Produzir um diagnóstico e uma proposta para modernizar a geração e distribuição do sinal da TV Pernambuco, atentando para as mudanças tecnológicas em curso no país;

2 – Iniciar a implantação de uma nova grade de programação que respeite a diversidade social, política, cultural, étnica, de gênero de Pernambuco e privilegie a produção existente no Estado e no país. E que, além disso, crie condições para a inserção na Rede Brasil, paralelamente ao incremento e qualificação da produção própria da emissora.

3 – Propor formas de diversificar e incrementar a captação de recursos financeiros da emissora, bem como de qualificação dos seus recursos humanos;

4 – Discutir e elaborar o projeto de reformulação técnica e operacional da emissora e o seu modo de sustentabilidade;

5 – Incrementar as relações de parceria com a rede pública de emissoras, em especial a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) e a TV Universitária.

Ao cabo de três meses, as conclusões e os resultados do trabalho da Diretoria e do GT serão discutidos em um amplo seminário que estabelecerá as propostas para a formalização da nova TV Pernambuco e os prazos em que as metas deverão ser cumpridas.

Recife, PE, março 2010.

MORRE ATOR QUE INTERPRETOU DANIEL BOONE - obituário

O ator norte-americano Fess Parker, 85, que interpretava o protagonista de "Daniel Boone", morreu na última quinta de causas naturais. Nascido no Texas, nos últimos anos, ele se dedicava à produção de vinho em uma propriedade na Califórnia. Uma das pioneiras séries de aventura, "Daniel Boone" estreou em 1964; a história foi lançada no Brasil em DVD em dois volumes em 2006.

domingo, 7 de março de 2010

Democratização cultural - notas domênicas

"A aplicação de números a pessoas e à vida cultural era um tabu até a aparição da primeira pesquisa sobre as práticas culturais dos franceses, no início dos anos 70. Dois movimentos levaram a isso. O primeiro refere-se à reflexão sobre a 'esfera do lazer' associada à preocupação com o desenvolvimento cultural (redundando no paradigma da democratização cultural), iniciada durante a Segunda Guerra e que cresceu sensivelmente nos anos 50 e 60. A partir desta premissa, que na França descentralizou-se em direção ao interior e aos subúrbios, o governo passou a subvencionar de forma intensa e desenvolveram-se as relações públicas das diversas instituições, para se alcançar o público popular tão desejado. Porém, a democratização da cultura repousava sobre dois postulados implícitos: só a cultura erudita merecia ser difundida; e bastaria o encontro entre o público - considerado de forma indiferenciada - e a obra para que houvesse uma adesão. Ou seja, isso foi feito sem serem considerados o contexto sociológico e as barreiras simbólicas que envolvem as práticas de natureza artística e cultural. Esperava-se que, por meio de uma ação enérgica, 'democrática' e tão bem engendrada, o acesso desse público estaria garantido. Entretanto, o problema maior aqui foi o desconhecimento do que é realmente uma população, de suas aspirações, de suas necessidades reais, de suas motivações. Na verdade, tinha-se um populismo paternalista que acreditava poder despejar sobre o povo os grandes feitos da cultura erudita, desde que se encontrasse uma pedagogia adequada. A prática redundou numa falsa democratização, pois baseava-se na crença da aptidão natural do ser humano em reconhecer de imediato 'o belo' e 'a verdade', apenas pela possibilidade de ter acesso às instituições da cultura erudita. Se, apesar da elevação dos níveis de escolaridade, menos pessoas vão aos museus ou aos teatros - as pesquisas posteriores demonstraram -, seria necessário descobrir-se o porquê e não simplesmente concluir que isso devia-se provavelmente ao fato de estas instituições não estarem sabendo fazer o seu trabalho."(...)
(...)"Hoje, parece claro que a democratização cultural não é induzir os 100% da população a fazerem determinadas coisas, mas sim oferecer a todos - colocando os meios à disposição - a possibilidade de escolher entre gostar ou não de algumas delas, o que é chamado de democracia cultural. Como já mencionado, isso exige uma mudança de foco fundamental, ou seja, não se trata de colocar a cultura (que cultura?) ao alcance de todos, mas de fazer com que todos os grupos possam viver sua própria cultura. A tomada de consciência dessa realidade deve ser uma das bases da elaboração de políticas culturais, pois o público é o conjunto de públicos diferentes: o das cidades é diferente do rural, os jovens são diferentes dos adultos, assim por diante, e esta diversidade de públicos exige uma pluralidade cultural que ofereça aos indivíduos possibilidades de escolha. A idéia da democratização da cultura repousa sobre dois postulados implícitos: só a cultura erudita merece ser difundida; e basta que haja o encontro entre a obra e o público (indiferenciado) para que haja desenvolvimento cultural. Duas conseqüências advêm daí: prioridade dada aos profissionais e descentralização de grandes equipamentos (como criação de centros culturais). Pelas razões apontadas anteriormente, sabe-se que isso não resolve. A cultura erudita é apenas uma entre tantas outras, embora dominante no plano oficial por razões históricas e pelos valores que agrega. Avançar na consideração do que está implicado nesta pluralidade é retomar as distinções já feitas neste artigo, que defende uma política pública articulada que contemple as várias dimensões da vida cultural sem preconceitos elitistas ou populistas."
(Isaura Botelho no artigo Dimensões da cultura e políticas públicas - na íntegra aqui)

quinta-feira, 4 de março de 2010

De andada na web...

Duas pérolas que catei hoje de rolé na web:
1 - Uma matéria loucaça de um jornal de Santa Maria-DF, mais uma vez envolvendo religião e sexo;
2 - Um texto quente e inspiradíssimo d'O Carapuceiro.

Freak...

Ah, maluco, essa é a nova Tv Pernambuco!

O Dr. E. foi testemunha. Acompanhou e deu notícia nesta bodega. Pois é, aquele movimento da sociedade civil que lutava por maiores espaços nos meios públicos de comunicação em Pernambuco já começou a colher seus frutos: Roger de Renor é o novo presidente do Departamento de Telecomunicações de Pernambuco (Detelpe) - órgão estadual que gerencia a Tv Pernambuco. Tás vendo? esse negócio de povo organizado e reclamando dá pedal. Agora é apoiar a nova gestão e continuar a luta por uma Rádio/Tv Universitária (federal) mais bacana e para botar no ar a Rádio Frei Caneca (municipal).

E um brinde a nova diretoria! De primeiríssima!, como podemos notar na alma - salve, Ivanzinho! - que nos fala abaixo:

quarta-feira, 3 de março de 2010

Projeto de Lei e a educação pública brasileira

Quem sabe se com a aprovação desse Projeto de Lei do senador Cristovão Buarque nossa educação pública não toma jeito. Fiquemos de olho...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Folia e direitos humanos

Em Pernambuco diversos segmentos da sociedade civil organizada criaram um comitê de apoio ao Programa Nacional de Direitos Humanos, o tão propalado - e combatido pelas forças da reação - PNDH3.
Pois bem, uma comissão desse comitê está se articulando no carnaval para divulgar as ações do grupo. Ela já conseguiu 200 camisas para os dias de Momo e deve confeccionar mil adesivos com a frase Eu apóio o PNDH3! para serem distribuídos em frente ao Centro de Cultura Luiz Freire em Olinda. Os "adesivaços" - que servirão também para coletar assinaturas de apoio ao Plano - estão previstos para os seguintes horários:
Sexta (12/02) 18h
Sábado (13/02) 16h
Domingo (14/02) 10h

Participe, dê o seu apoio! O país agradece...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A nova classe média

Imagine que vc fosse dono de um jornal no Brasil. Imaginou? Agora me diga ainda imaginando, do alto do seu poder e consciência, se isso não seria seu editorial principal.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Ocupação Chico Science e o cosmopolitismo do pobre

Semana passada foi inaugurada em São Paulo a Ocupação Chico Science, exposição promovida pelo Itaú Cultural. Quinze anos após ao Da lama ao caos, o Mangue volta a ganhar as páginas dos cadernos culturais dos jornais brasileiros. Mas enfim, hoje, início da segunda década do século XXI, o que de mais importante nos foi deixado pela última movimentação cultural do país?
Numa matéria sobre a referida exposição, publicada na última sexta (05/02/10) no Diário de Pernambuco, o roteirista e diretor Hilton Lacerda responde a essa pergunta com a luz que lhe é peculiar:
"O mangue bit ganhou chancela de batida. Sua dimensão alimentou discussões apaixonadas. Alguns ficaram pelo caminho, mas o movimento continuou a influenciar uma gama de acontecimentos culturais que reverberam até hoje - seja por concordância, seja por afirmar sua superação. Mas o que realmente é importante aí? Para mim, foi o canal aberto na periferia: o alto falante que, a partir de uma possibilidade, levou ares desse cosmopolitismo de pobre para o mundo".

Sem mais...

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...Com mais:

Para maiores esclarecimentos (por que não perco essa mania pedagógica?), cosmopolitismo do pobre é um conceito que foi desenvolvido pelo crítico e escritor Silviano Santiago num artigo homônimo publicado em livro também homônimo. Mas afinal, do que trata essa expressão? Com a palavra, euzinho mesmo:

"No artigo intitulado 'O cosmopolitismo do pobre', o crítico Silviano Santiago analisa duas formas de multiculturalismo que se instituiu no Brasil ao longo de sua história. A primeira tem origem mais antiga, baseada na idéia de estado-nação e que, resumidamente, foi uma construção 'de homens brancos para que todos, indistintamente, sejam disciplinarmente europeizados como eles' (no texto, o autor cita alguns dos seus importantes representantes na cultura brasileira como José de Alencar, Aluísio Azevedo, Gilberto Freyre, Jorge Amado, entre outros). A segunda, de acordo com Santiago, é uma forma recente e que ainda vem se firmando através do pleito de dois pontos basicamente: dar conta da afluência dos migrantes pobres (na maioria ex-camponeses) nas megalópoles pós-modernas; e resgatar grupos étnicos e sociais, economicamente prejudicados durante a vigência (e, em boa parte, decorrente das ações) do primeiro multiculturalismo. Sobre o processo de passagem de uma forma para outra, o autor comenta:

'Ao perder a condição utópica de nação – imaginada apenas pela sua elite intelectual, política e empresarial, repitamos – o estado nacional passa a exigir uma reconfiguração cosmopolita, que contemple tanto os seus novos moradores quanto os seus velhos habitantes marginalizados pelo processo histórico. Ao ser reconfigurado pragmaticamente pelos atuais economistas e políticos, para que se adéqüe as determinações do fluxo do capital transnacional, que operacionaliza as diversas economias de mercado em confronto no palco do mundo, a cultura nacional estaria (ou deve estar) ganhando uma nova reconfiguração que, por sua vez, levaria (ou está levando) os atores culturais pobres a se manifestarem por uma atitude cosmopolita, até então inédita em termos de grupos carentes e marginalizados em países periféricos.'

Distante de um ideário patriótico e gerado numa época de economia de mercado transnacional, podemos considerar aqui que este novo multiculturalismo no país também é um desdobramento das mudanças trazidas pela globalização com seu enfraquecimento do estado-nação e com seu aumento de trocas culturais – tanto
através da vida cotidiana concreta (migrações, viagens etc.) como pela ampliação das referidas redes comunicacionais (as mídias, as universidades, os museus e várias outras instituições). Em outras palavras, o multiculturalismo brasileiro atual é um fenômeno que vem ocorrendo atrelado ao caráter transcultural do mundo contemporâneo. É ele que instaura, conforme a expressão de Santiago, o nosso 'cosmopolitismo do pobre'."
(In: A reinvenção do Nordeste nas crônicas d' O Carapuceiro)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

tira dominical


Parece um recado do Laerte p/ o Luiz Felipe Pondé desse link...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Envelheço na cidade

Pra relaxar em meio a confusão, o hino do mais novo bloco do carnaval de Olinda: o 100 anos de Alceu!

Da província


Este post vai para os pernambucanos. Mais precisamente para o setor cultural da capitania que deu mais lucro. Agora imaginem do que se trata: pernambucanos+setor cultural=confusão2 (não sei como colocar potência aqui nesse troço!).
A zuada é a seguinte: em recente matéria do Diário de Pernambuco (dia 25/01/10, confiram no link!), Luciana Azevedo, presidenta da Fundarpe (órgão público estadual que trata da cultura), criticou o Conselho Estadual de Cultura na sua estrutura e funcionamento. A posição de Luciana está em plena sintonia com as demandas da sociedade civil que foram explicitadas muito claramente na Conferência Estadual de Cultura realizada em dezembro último no Recife - na ocasião, os evolvidos do setor reclamaram a composição não paritária e não democrática de tal entidade.
O Conselho reagiu e lançou uma carta-resposta (está no link da matéria linkada) na qual prevê que a presidenta será conhecida nos anais da história da província com o nome de... bruxa!(pasmem!)
Na sequência, a Fundarpe redigiu uma tréplica que trancrevo (e ajudo a divulgar) abaixo:

Em resposta à matéria Conselho de Cultura refuta acusações, publicada no dia 4 de fevereiro de 2010, no Diario de Pernambuco, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) vem a público esclarecer:

Pernambuco é uma imensa nação cultural do cais ao sertão, consolidada pelo tecido sociocultural, independente da própria atuação do poder público.
A valorização da cultura no Estado de Pernambuco é uma determinação do governo Eduardo Campos no Mapa da Estratégia de gestão 2007/2010, integrando as bases adequadas para o desenvolvimento da cidadania e igualdade de oportunidades, tendo como focos prioritários a interiorização e os estratos mais vulneráveis da população.
É muito importante registrar que o poder público não produz Cultura, ele fomenta a produção cultural, promove mecanismos de preservação, difunde, faz fruir e subsidia o seu desenvolvimento sustentável.
Quando se fala em Política Pública de Cultura, remete-se a uma arquitetura institucional de leis, planos, fundos e canais participativos, ancorados em princípios, diretrizes, objetivos, metas e papéis do poder público frente ao desenvolvimento cultural.
Ao se caracterizar modelo de gestão participativa, estabelecendo as analogias com as políticas públicas já consolidadas na área de educação, saúde, assistência social e norteando-se pela primeira Conferência Nacional de Cultura 2005/2006 – Estado e sociedade construindo Políticas Públicas de Cultura (Ministério da Cultura/Secretaria de Articulação Institucional) reporta-se a preceitos constitucionais, ancorados em canais participativos de composição paritária entre poder público e sociedade civil cuja composição se dá tanto pelo tecido sociocultural como pelas suas entidades representativas eleitas em fórum específico.

Como discorrer sobre Política Pública de Cultura é algo muito novo, atualmente dinamizado pelo Ministério da Cultura, e construído pelos demais entes federativos, com ampla participação da sociedade, às vezes, se estabelece uma incompreensão sobre o papel do poder público para o desenvolvimento cultural, que é hoje o foco dos grandes debates, com a produção cultural que é parte inerente ao processo civilizatório da humanidade, assegurada a liberdade de criação e expressão e respeitadas as formas artísticas em todas as suas diversidades.
É da perspectiva de reafirmação deste papel do Estado que o MINC e o Governo do Pernambuco, através da Fundarpe, vêm ressaltando a necessidade de fortalecimento, no intuito de garantir a toda população o pleno exercício dos direitos culturais (Art. 215 da Constituição 1988)

O governo do Estado, através da Fundarpe, sempre respeitou o papel desenvolvido pelo Conselho Estadual de Cultura, inclusive trabalha em parceria no que se refere ao item preservação relativo a tombamentos e registros de patrimônios materiais e imateriais, e patrimônio vivo.
Ressalta-se que o modelo de conselhos definidos pelo Sistema Nacional de Cultura, refere-se a canais participativos de cogestão das Políticas Públicas de Cultura, segundo esse contexto destacado, colocando a ação do Estado para a cultura em uma outra dimensão estruturadora, no que concerne à elaboração de leis, planos e frentes sistêmicas de atuação do poder público na participação do desenvolvimento cultural da Nação.

É neste sentido, e não com conotação de assembleísmo, mas de consolidação da própria democracia participativa que garantimos resultados concretos numa dimensão nunca anteriormente registrada.

Conquistas consolidadas coletivamente:

1. Interiorizamos a ação da Fundarpe e realizamos, nesses 3 anos, 111 Fóruns de capacitação sobre Políticas Públicas de Cultura, elaboração de projetos para concorrência em editais públicos, inclusão digital à rede virtual colaborativa da Política Pública de Cultura o portal www.nacaocultural.pe.gov.br, fortalecendo gestores, técnicos e o tecido sociocultural das 12 regiões do Estado.

2. O acesso ao fomento, viabilizado pelo poder público, a partir de projetos culturais desenvolvidos pela produção independente, foi fortalecido em bases democráticas por seleções públicas, via editais, sendo ampliado de 4 milhões em 2006 para 31 milhões em 2009 (Funcultura, edital de audiovisual e Pontos de Cultura,...)

3. 60% dos projetos fomentados pelo governo do Estado, via editais, antes majoritariamente concentrados em Recife e Olinda, circularam em todas as regiões.

4. O papel do poder público para a fruição da produção cultural pernambucana foi garantido através da visitação de 412 mil pessoas a museus e estações culturais, gerenciadas pela Fundarpe e pela implementação de 12 festivais que funcionaram e funcionarão como ações de Política Pública itinerante em todas as regiões, nas áreas de formação, fruição, preservação, difusão em todas as linguagens culturais. Os ciclos culturais do Carnaval, Junino e da Paixão tiveram suas celebrações garantidas através de polos regionais com integração de todos os municípios componentes e coordenados pelo poder público, ressaltando a diversidade e intercâmbio cultural de todo Estado.

5. A área de formação teve seu recorde de projetos fomentados. Foi consolidada a primeira especialização em Economia da Cultura do Nordeste, desenvolvida em parceria com Fundação Joaquim Nabuco e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul além da capacitação com elaboração de cartilhas próprias na área de preservação em 33 municípios.

6. Garantiu-se o fomento continuado a 80 grupos consolidados de cultura em todo estado em parceria com o governo Federal junto ao Minc, destacando grupos de caboclinhos, maracatus, santeiros de Ibimirim, povos indígenas e quilombolas, artesão do alto do Moura, samba de véio da região do São Francisco, entre outros...

7. Foram recuperadas, dinamizadas 16 edificações que integram o patrimônio material de Pernambuco e estão em andamento mais dois Cines Teatros, na Mata Norte e Mata Sul, no sentido de viabilizar estações culturais do poder público estadual nas 12 regiões bem como foram georeferenciados, de forma pioneira, os patrimônios materiais do Estado e seus pontos de Cultura.

8. Foram ministradas pelo mestre Ariano Suassuna e sua equipe da Secretaria Especial de Cultura 100 aulas-espetáculo, ressaltando a cultura pernambucana.

9. Os Pontos de Cultura desenvolveram aulas-espetáculo nas escolas públicas estaduais, atingindo mais de oito mil alunos, possibilitando o acesso da comunidade escolar à vivência cultural de Pernambuco

10. A ampliação dos recursos do governo do Estado relativos ao desenvolvimento da Política Pública de Cultura destacada representou na escala de execução financeira da Fundarpe um elevação de 20 milhões em 2006 para 110 milhões em 2009.

Reafirmando o respeito a todos os canais de participação da sociedade, ao longo da consolidação dos processos democráticos, finalizamos o nosso esclarecimento e firmamos nossas posições.





Bom, tomem suas posições!!! A minha, com o perdão dos amigos músicos e seus cachês atrasados, já tá tomada...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O antropófago descolonizado

Beleza de entrevista com Zé Celso Martinez Corrêa na edição de dezembro da revista Fórum, confiram!

De olho no dinheiro que você gasta com impostos - Utilidade pública

Sempre tive uma curiosidade enorme em saber quem fiscaliza e como é utilizada a grana que o cidadão brasileiro gasta nos impostos. Pra tentar facilitar o meu entendimento e o de milhões de contribuintes nacionais, o Governo Federal dispõe duas cartilhas bem esclarecedoras, uma mais bê-a-bá, outra mais hard - ambas de facílima compreensão. Façam bom proveito!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Casulo

Depois de um ano do retorno a terra natal, cogitei não voltar mais a este blog. É que ando meio casulo, pensando nessa vida-odisséia que inventei pra mim (tal como o herói Ulisses, também levei 10 anos pra voltar pra casa!).
Esse recanto de pixels também andava (anda?) sem indentidade. Devendo no quesito criação, ele virou uma coisa meio entre utilidade pública e varal de publicidade dos amigos - o que fiz com muita honra, diga-se! - e de textos alheios.
Quando criei o Dr. E., imaginei que ele fosse me empurrar para o exercício da escrita. Triste engano. Não tive a disciplina suficiente. (E, na verdade, nem sei se deveria, odeio essa coisa da obrigação de escrever, essa idealização do escritor, narcisismos, queijandos, problema meu, eu sei... - E como diria nosso marinheiro: "você pra mim é problema seu!"). Ou, sem delongas e mais precisamente, não fui interessante o suficiente.
Não sei se abandonarei o barco de vez (ué, cadê o Ulisses ques tava aqui? Pode perguntar, atento leitor). Quem sabe uma última chance, até como resistência a onda que invade a blogosfera brasileira - além de pouco criativo e preguiçoso, sou chato. E, enquanto não escrevo, volto a publicar coisas em que me reconheço, como o texto postado abaixo. Que façam por mim, juro que agradeço.

Contra a unanimidade bem comportada

O homem comum

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O que falta em mim é o medo que está por trás da unanimidade bem comportada
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COMO DIZIA o filósofo alemão Franz Rosenzweig (1886 -1929): "Hoje só me interessa o que as pessoas comuns me perguntam". Como ele, não me interessa mais me esconder atrás de alguma teoria pra negar minha insegurança. Segundo o crítico literário canadense Northop Frye (século 20), muitos acadêmicos são pessoas inseguras que se escondem atrás de teorias porque não são capazes de falar em primeira pessoa. Sendo medrosos e pouco criativos, morremos de medo da opinião dos pares. Ao final, o que importa é o corporativismo e o aniquilamento dos desafetos.
Sei que o leitor irritado pensa que sou um elitista. Reconheço minha culpa, minha máxima culpa: tenho dado razão pra que você pense assim. Mas, como diz um personagem interpretado pelo ator Harrison Ford no filme "Divisão de Homicídios", quando é chamado por um subalterno de "sir": "Don't call me sir, I work for living" (não me chame de "sir", eu trabalho pra sobreviver).
Esse é o meu caso, sou um nordestino, entre tantos, que veio pra São Paulo e aqui me virei como pude, fazendo contas todo mês e lidando com medos e crises repetidas de baixa autoestima ao longo do caminho. Como todo mortal, faço o que posso diante da opacidade do mundo e da mentira geral que permeia a ordem das coisas.
Mas não sou um pessimista. Existe a beleza e a generosidade no mundo, elas se misturam a tudo mais, como o ouro se mistura ao lixo, à lama e à violência do garimpo. O próprio fato de que hoje estou aqui falando com você é a prova cabal de que não posso negar a felicidade e o sucesso que existem como possibilidade na vida dos homens comuns.
O que a leitora indignada não entende é que não compactuo com a repressão que hoje tende a destruir o pensamento livre em nome dos ofendidos. Mas não pense que, por isso, eu acredite que esteja "construindo um mundo melhor", porque não compactuo com esta ditadura dos ofendidos. Não acredito num mundo melhor. Como diz meu filho médico de 26 anos: "O sofrimento é uma constante, quando sai de um lugar, aparece em outro". O fato de eu não compactuar com a mentira do bom-mocismo é, em mim, uma condição quase fisiológica, sai como um grito de horror incontrolável. Não é uma virtude, é um vício. É uma dor que pede alívio imediato.
Quer exemplos de máximas que me fazem urrar de dor? "Todos os homens são iguais e legais", "não diga coisas que façam as pessoas desacreditarem em si mesmas", "o mal é uma construção social e não uma constante da natureza humana", "não existem culturas melhores do que outras", "jornalistas de respeito não falam coisas feias em seus artigos", "as mulheres não estão solitárias em suas carreiras profissionais bem-sucedidas", "os homens modernos não sentem que são manipulados pelas mulheres, agora emancipadas, mas que continuem a fazer chantagens emocionais como suas avós faziam pra submetê-los a sua vontade dominadora", "a natureza é uma mãe".
O que falta em mim é o medo que está por trás da unanimidade bem comportada. Não tenho medo que usem contra mim clichês bobos como machista, elitista, fascista, racista. Não sou nada disso, como todo brasileiro, sou uma mistura de europeu, índio e negro. Como todo mundo, tenho alguns preconceitos e quem diz que não os têm são os verdadeiros preconceituosos.
Vou continuar a falar coisas que a ditadura dos ofendidos detesta e eles vão continuar a tentar destruir a liberdade de pensamento, mesmo que se digam defensores da democracia. Se existe alguma democracia defendida pela ditadura dos ofendidos é a democracia da mediocridade, do silêncio e do medo.
Quando falo em pessoas comuns, penso no homem comum do livro "O Homem Comum", de Philip Roth. Penso naquele homem ou naquela mulher que, quando vai ao cemitério e vê um caixão baixando ao solo, inevitavelmente sente um frio na barriga e um desespero na alma. Penso naquela mulher que se vê abandonada depois de anos de dedicação a um homem só porque chegou aos 40 anos e porque não consegue mais sorrir tão fácil. Penso naquele homem que sabe que sua vida está pendurada por uma corda que aperta seu pescoço cada vez que os juros do seu cartão de crédito sobem. Penso naquele idoso que não vê mais seus filhos porque envelheceu pobre.
Penso, enfim, em você, aí sozinho, tomando café da manhã, sonhando com um amor que não existe, com uma família perdida e com um sucesso efêmero como o vento. Imerso na solidão de todos nós.

(Texto do Luiz Felipe Pondé publicado na Folha se São Paulo de ontem, 01/02/10)